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Indicação Cultural: HQ Astronauta Magnetar

Indicação Cultural: HQ Astronauta Magnetar

Conheça a história em quadrinhos Astronauta Magnetar!
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No Brasil, a grande maioria da população tem o péssimo costume de enaltecer absolutamente tudo o que é produzido no exterior, esquecendo todo o material de qualidade que é facilmente encontrado aqui. Isso acontece especialmente nos quadrinhos, quando ouvimos nomes de Stan LeeJack KirbyAlan Moore, Rob Leifeld (tá, esse não) e todos os outros considerados importantes para esse universo, esquecemos de um nome que sempre esteve presente em nossa infância e que fez história com sua turminha: Maurício de Sousa. Um gênio que manteve viva sua maior criação por muito tempo e que precisava, de alguma forma, passar suas histórias novamente para aquela geração que hoje trabalha e não consegue acompanhar a Mônica, o Cebolinha, o Cascão… Assim nasceu o selo Graphic MSP, um projeto de releitura dos personagens clássicos criados por Maurício, pelas mãos de artistas nacionais de altíssimo nível.

No primeiro número está o Astronauta, personagem icônico da Turma da Mônica que andava um pouco esquecido.  Para atualizar o viajante espacial, Danilo Beyruth assina a arte e o roteiro da HQ que é um marco de alerta para aqueles que ainda (mesmo depois de inúmeras HQs brasileiras excelentes) não davam valor ás obras nacionais. Astronauta: Magnetar não só vale a compra como também instiga curiosidade sobre as próximas edições.

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Quem já teve a oportunidade de ler o personagem pelas mãos de Maurício, sabe que este era colocado em outros planetas para fazer contato com inúmeras raças alienígenas. Dessa forma, Maurício questionava de forma fácil e séria alguns conceitos presentes na raça humana. Danilo, por sua vez, preferiu elevar o nível dos questionamentos a algo existencial, além de estofar seu roteiro com um embasamento científico invejável.  É possível, inclusive, ler o significado de algumas expressões pouco conhecidas ao final da HQ.

Na história, o Astronauta precisa viajar pelo espaço e catalogar o fenômeno que dá nome a graphic novel. As coisas saem do controle e sua nave acaba quebrando, forçando-o a bolar um plano de fuga com o pouco recurso que lhe resta e com um meio de transporte sem condições de uso  – só para matar a curiosidade, a nave do Astronauta ainda é redondinha e amarela -. É nessa necessidade de fuga que o personagem vê sua sanidade esvair-se como seus mantimentos, e a complexidade de sua personalidade é explorada. A solidão, a valorização das pessoas que estão ao nosso redor, nos protegendo. Para construir esse pensamento, a figura do avô do Astronauta aparece no início da história para ensinar-lhe coisas que somente um pobre senhor que vive do campo, e que nunca explorou nada além da cerca de sua fazenda, pode passar a seu neto. Ensinamentos valiosos e que necessitam de reflexão.

Nave-Astronauta

A arte é espetacular. Beyruth cria, com a ajuda da colorista Cris Peter, a melhor demonstração de passagem do tempo (e da rotina) que já tive a oportunidade de ver em uma história em quadrinhos. E eles fazem isso em uma página. O Astronauta é retratado hora com um semblante inspirador, de descoberta, hora com um ar cansado e preocupado. O traço de Beyruth, que já podia ser elogiado por Necronauta e Bando de Dois, é mais uma vez destaque.

Difícil achar alguém que não tenha gostado dessa brilhante releitura. Mais difícil ainda será encontrar alguém que não tenha, no mínimo, refletido a respeito dos questionamentos existenciais do Astronauta.

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