Mr. Fly l Moda Sustentável - peças ecológicas e conteúdo consciente

Controle Remoto

Por Mr.Fly

Hoje, dia 11 de agosto, é o aniversário do eletrodoméstico favorito de todas as gerações.
Estamos falando da televisão.

O Dia Nacional da Televisão, referência direta a Santa Clara, padroeira do eletrônico, sempre serve para nos fazer refletir nas relações que desenvolvemos com a modernidade.

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No dia 18 de setembro de 1950, depois de alguns ensaios, idas e vindas, a televisão estréia no Brasil. A TV Tupi de São Paulo PRF 3, inaugura não apenas suas transmissões, mas um caso de amor com  os brasileiros. Assim como o rádio durante muitos anos foi o catalisador da cultura e da identidade nacional do país, a televisão se torna o grande agente da unificação cultural.

Os primeiros momentos da televisão tiveram muitos tropeços. Por um motivo simples: não havia mão-de-obra para a empreitada. Muitos profissionais vieram do rádio, de técnicos a artistas. E mais, a TV importou do rádio sua linguagem e sua estrutura. Logo se veria que era preciso uma linguagem nova para um novo meio.

Passado o tempo, com muitos erros e acertos, entre gravações e programações ao vivo, a televisão foi se profissionalizando. Hoje, a produção da TV brasileira é referência no mundo, sendo exportada para muitos países.

No meio de tanto desenvolvimento e globalização, muitas vezes as coisas fogem do controle.
É o que está acontecendo com a TV Cultura, que tem a segunda melhor programação do mundo, de acordo com a BBC, e atualmente se vê em um cenário de desmonte e terceirização.
Várias atrações já foram extintas e outras correm o risco de acabar. Demissões em massa e precarização das relações de trabalho também foram denunciadas em alerta para a crise na emissora que se tornou referência pela qualidade informativa e educacional de suas produções.

Resolvemos usar a data como desculpa para divulgarmos uma causa séria que pode comprometer a sustentabilidade cultural do nosso país.
Um grupo de pessoas envolvidas com a emissora resolveu organizar uma abaixo-assinado direcionado ao governador de São Paulo e ao diretor da empresa.
Não deixe de assinar.
Contribua para um futuro onde a televisão tem a oportunidade de se firmar como um instrumento construtivo.
Acesse: petição.


 

Solidariedade sustentável

Por Mr.Fly

Hoje é Dia do Hospital e nada mais inspirador do que a solidariedade de trabalhar ajudando as pessoas.

Sabemos de todas as deficiências de muitos serviços oferecidos pelo Estado,
que resultam da gestão corrupta e obscura de muitos representantes, órgãos e governos: inclusive e principalmente no que diz respeito à saúde.

Mas é preciso salientar o valor das pessoas que se doam para exercer funções que afetam diretamente ou não, a vida dos necessitados: independente do cargo que ocupam em tais instituições.

Pensando nisso, resolvemos falar sobre duas instituições que cuidam da saúde das pessoas e que procuram atuar de forma sustentável. São lugares que possuem programas de trabalho voluntário, procurando aproximar a população de forma a agregar positivamente no tratamento das pessoas envolvidas.

Hospital Ascomcer (Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer)  é uma entidade civil de caráter filantrópico e sem fins lucrativos e surgiu como resultado da Primeira Convenção Brasileira das Organizações de Voluntárias Femininas de Luta Contra o Câncer, realizada em julho de 1962, na cidade do Rio de Janeiro.
Em suas atividades, possui vários grupos que trabalham com os pacientes.
São núcleos e equipes organizadas, que atuam em áreas como Beleza, Costura, Bazar, Artesanato e em tardes de confraternização.
Para ajudar em qualquer área, e até com doações, entre em contato pelo email rh@ascomcer.org.br.

IMEPP é uma instituição filantrópica e assistencial, sem finalidade lucrativa. Foi fundada em Juiz de Fora, por algumas famílias preocupadas em dar assistência médica, para- hospitalar, psicológica e pedagógica as crianças com deficiência mental.
Com vários programas de assistência, inclusive pedagógicos, também atuam na área da saúde.
Para conhecer o trabalho feito, oferecer alguma ajuda e conhecer a proposta, entre em contato http://goo.gl/cntKSh.

Ajudar o próximo é uma forma de ajudar o planeta e encher o coração de sentimentos bons!

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Inverno sustentável

Por Mr.Fly

As águas de março passaram fechando o verão com pressa
e definitivamente: pelo menos é a sensação que temos a cada semana.

A temperatura tem diminuindo constantemente, com dias de chuva forte,
e em sua maioria, de chuva miúda.

A natureza agradece, temos certeza.
Mas no meio de tantas meias, cobertas, chocolates quentes e preguiça,
resolvemos fazer uma lista de pequenos hábitos que podem deixar nossa estação
um pouco mais sustentável.

Já sabemos que com o frio e sem o horário de verão, a tendência geral é de um aumento significativo no gasto de energia.
Precisamos repensar nossos hábitos!

TROQUE AS LÂMPADAS!

Opte por modelos mais econômicos.
É muito importante que isso se torne um hábito, independente da estação.
Mas a verdade é que com o sol se pondo mais cedo, precisamos de mais iluminação
por mais tempo.
Se atente para o consumo consciente: não deixar cômodos iluminados de forma desnecessária vale pro ano inteiro.
Para ambientes aconchegantes e intimistas, em situações especiais, você pode usar velas: além de charmosas, vão te deixar mais sustentável ainda.

LAVE E PASSE MENOS

Ficar lavando roupa todo dia, assim como passando, não faz sentido.
Deixe que suas roupas se acumulem para que o trabalho seja realizado
apenas uma vez na semana.
É muito mais econômico e até o seu bolso agradece.

CRIE O HÁBITO DE RESPIRO

Deixar que sua casa respire, ou sua roupa, pode ser uma mão na roda
na saga contra a poeira.
Nossas roupas de frio ficam muitos meses guardadas no fundo do armário,
limpas.
Deixe que elas fiquem algumas horas no varal, tomando ar fresco.
É uma forma de purifica-las sem precisar necessariamente lava-las.
Isso vale para os cômodos!

CARONA SOLIDÁRIA

A verdade é que ser solidário é um trabalho que deve ser desenvolvido sempre que possível.
E com o clima instável, não é diferente.
Portanto, não deixe o vizinho na chuva.
Compartilhe rotas e socialize: deixe que apenas o clima seja frio!

DESAPEGA

A lei do desapego se une a necessidade de muitos!
Olhar pelo próximo é uma prova de amor ao planeta: limpe seu armário e repasse
aquele casaco velho.
Tem sempre alguém precisando de um cobertor, e o calor humano é o melhor remédio pra ajudar nessas horas!

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Especial Grito Rock 2015 – JF

Por Mr.Fly

A Mr.Fly busca por novas formas de sustentabilidade de forma crescente.
Dentro da necessidade de conscientizarmos o maior número de pessoas, ainda que indiretamente, anunciamos a parceria com um evento que se constrói através de coletividade e colaboração, que são palavras fundamentais para a construção de uma sociedade mais sustentável.

Estamos falando do Grito Rock, que sem proprietários e patrocinadores master,
aparece como um festival colaborativo, baseado em tecnologias livres.
Esse ano, acontece no período de 10 de fevereiro à 20 de abril. Produtores independentes podem inscrever-se para participar e realizar uma edição em sua cidade.
O formato colaborativo permite que, a cada ano, mais produtores compartilhem experiências e fortaleçam a cadeia produtiva da música local ao mesmo tempo em que o festival amplia seu alcance no “Brasil Profundo”, criando conexões em âmbito global.

Depois do início das edições integradas em 2007, o Grito Rock cresceu exponencialmente e em 2011 alcançou a marca de 130 cidades, em oito países, movimentando 2 mil bandas e aproximadamente 200 mil espectadores. Na décima edição, em 2012, foram 205 cidades realizadoras, 37% a mais em comparação com 2011, envolvendo a participação direta de 700 produtores culturais, de 15 países diferentes.
Finalmente em 2013, ganhando amplitude global, o festival alcançou 300 cidades de quase 30 países, tendo edições em toda a América Latina, Europa e África.

Mais do que cultura e apoio à produção artística, a iniciativa é produzida com a mediação de coletivos.
Nesse momento, apresentamos a Casa Fora do Eixo, que tem importante papel , sendo uma rede de Cultura e Comunicação que reúne coletivos e parceiros espalhados em cerca de 300 cidades brasileiras. Em dez anos de atuação impulsionou a criação de dezenas de projetos, que por sua vez, estimularam o desenvolvimento de outras redes, tais como, a Universidade das Culturas, o Banco das Culturas, Rede Brasil de Festivais e a Mídia NINJA.

Em 2015 o Grito Rock ampliou ainda mais a presença do Festival na América Latina, sua a força na Africa, Europa e Asia, e chega pela primeira vez à Oceania.
A incrível diversidade de eventos possibilita tais sucessões de todos os tipo, seja em pequenas casas de shows, grandes palcos ou espaços públicos. Entre as atrações, bandas e músicos de todo ritmo, mas também artistas do teatro, da dança, das artes visuais, moda, literatura e muito mais.

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Sensacional, não é mesmo?
E com um público cada vez mais aberto a experimentar novas vivências e promover experiências que permitam a disseminação de ideologias e práticas ambientalmente corretas e socialmente conscientes, resolvemos materializar a nossa parceria em um sorteio pra  ninguém colocar defeito!

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Para maiores informações sobre o sorteio, acesse: http://goo.gl/93dor2

Para saber mais sobre o evento: http://gritorock.com.br/


 

Torneiras, grãos e sujeira

Por Mr.Fly

 

Nunca na história desse país se ouviu tanto falar em crise hídrica.
E como sempre na história do nosso país, a cada semana alguém passa a responsabilidade para outra pessoa.
E quem sofre, claro, somos nós: a população que, de mãos atadas, fica refém da má gestão generalizada.

Há muito sabemos da vulnerabilidade de recursos finitos.
E sabemos também que independente das políticas públicas, somos todos responsáveis pelo que o planeta nos oferece.

Mas a questão é um pouco complicada.

Sabemos que mais da metade dos recursos hídricos nacionais são destinados ao agronegócio.
Isso significa que o pouco que gastamos, ainda que de forma errada, representa uma parcela pequena dos valores reais que nos abastecem.

O problema todo é que, quando confrontamos essa realidade, a primeira reação das pessoas é a de se sentir no direito de poder gastar mais do que já se gastava.
O que não podemos deixar de lado é o fato de que apesar dos nossos representantes políticos serem responsáveis por essa má distribuição, a água é responsabilidade de todos.
E como recurso finito, um dia vai deixar de existir.
Ou, dificultar nossa vida com a sua escassez- como já tem ocorrido.

Tudo isso talvez seja mais um apelo: o de que ainda pode dar tempo.
De cobrar a de mudar a nossa forma de lidar com a natureza.

O agronegócio pode ser responsável por grande parte do uso da água, mas tudo que chega aos consumidores, precisa de água em sua produção.

 

É muito importante que paremos de reproduzir o discurso que isenta.
Precisamos colocar os pés nos chão.
Repensar a situação da água é repensar a nossa relação com tudo que nos rodeia, principalmente o consumo.

Ainda dá tempo.


 

Consumo Sustentável

Consumo Sustentável

Por Mr.Fly

O post de hoje é pra quem quer colaborar para o desenvolvimento
de politicas de consumo sustentáveis no Brasil! 
A Universidade de São Paulo está com um projeto que visa analisar e conhecer o perfil, estilo de vida, conhecimentos, atitudes, comportamento e valores do consumidor sustentável brasileiro.

São poucos os estudos feitos no país e muitos autores refletem a importância de ONGs (marketing social) para divulgação e conscientização da população a respeito. Diversas políticas nacionais vem surgindo para melhorar padrões de produção e consumo e há grande relevância social, além do interesse em comparar com o comportamento do anglo-saxão em relação ao consumo sustentável. Ao identificar o perfil do consumidor sustentável no Brasil, poderemos comparar com os resultados obtidos no exterior, e assim propor implicações sociais, governamentais e empresariais de acordo com os resultados.

Responda ao questionário abaixo – clicando no link – e colabore com este projeto! Sua ajuda é muito importante!

Para maiores informações, envie e-mail para o contato localizado no fim do questionário.

 


Comunidade grega desafia os próprios limites e foge da crise financeira (de forma sustentável!)

Comunidade grega desafia os próprios limites e foge da crise financeira (de forma sustentável!)

Por Pedro Fraga

Se olharmos para trás, certamente iremos constatar alguns fatos. O maior deles, talvez, seja a questão do progresso tecnológico, que se fundamenta em necessidades.  A humanidade desde tempos imemoriáveis só obteve progressos porque necessitava de algo, e esse sentimento alavancou uma série de esforços, estudos e trabalhos que desaguaram nesses tais avanços. Numa sociedade utópica, o certo seria avançar sem que o problema aparecesse e criasse essa tal necessidade de avanço. Como a maioria esmagadora das sociedades não funciona assim, o progresso só começa a chegar depois do aparecimento do problema.

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Projeção futura da comunidade. FOTO: Ciclovivo.com.br

Assim tem ocorrido na Grécia, país europeu que enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história. Um grupo chamado Free and Real elevou ideias sustentáveis a um patamar muito maior e construiu uma comunidade alternativa, que visa o reaproveitamento e uma forma de consumo moderada em meio aos tempos nebulosos de crise. A comunidade é formada por dez moradores fixos, e mais alguns que passam temporadas.

Um dos fundadores relata que teve que abdicar de seu emprego e do conforto, mas que em hipótese alguma voltaria ao estilo de vida agitado e conturbado da capital Atenas. Como sobrevivem? Bom, eles plantam a própria comida. Como dormem? Em cabanas construídas por eles mesmos. Como conseguem materiais de higiene e outros bens de consumo? Trocando o excedente da produção de alimentos nos vilarejos próximos à comunidade. É surreal pensar que sociedades assim ainda existam. E mais surreal ainda é ver que elas existe não por falta de oportunidades ou pobreza, mas por escolha dos próprios fundadores.

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Alimento colhido na própria comunidade

Todo o turbilhão de ideias e estilos de vida sustentáveis nos fazem refletir a respeito do conceito de progresso. Ora, se dessa forma considerada arcaica a comunidade sobrevive com tranquilidade e qualidade de vida, porque apostar no estilo de vida urbano e estressante?
O que está ‘’na frente’’ e o que pode ser considerado progresso?

Se para muitos a atitude dos moradores dessa comunidade é algo antigo, ultrapassado e desnecessário, para os moradores isso é um recomeço, uma forma alternativa de vida (e que tem incomodado muita gente).

Uma orquestra de jovens paraguaios encanta o mundo com instrumentos de sucata

Uma orquestra de jovens paraguaios encanta o mundo com instrumentos de sucata

Por Pedro Fraga

A América Latina (como os estadunidenses gostam de chamar) é subestimada por nós mesmos. Porque não temos por aqui atrações como os castelos medievais, ou uma muralha quilométrica, uma torre inclinada, optamos por conhecer lugares consagrados por esses monumentos fora do continente (como Europa e Ásia). É absolutamente normal conhecer alguém que mora no Brasil e já conhece todo o interior da França, por exemplo, e nunca visitou um dos maiores pólos culturais do mundo que é Buenos Aires, e que está aqui ‘’do lado’’. Obviamente, não há mal nenhum nisso. O questionamento, na verdade, gira em torno do preconceito e da síndrome de ‘’terceiro mundo’’ que cerca o continente, que força as pessoas do próprio ‘’mundo latino’’ a conhecerem culturas fora das fronteiras continentais, esquecendo a pluralidade cultural, artística e étnica que existe ‘’aqui’’.

Refletindo um pouco sobre isso, chegou até as minhas mãos um projeto paraguaio de inclusão social que deixa claro o pensamento sobre a riqueza cultural latina. Cateura, uma favela de Assunção (Paraguai), vive às traças e a mercê de um lixão formado ali. Os catadores que vivem da coleta de lixo daquela região decidiram usar toda a sucata em bom estado que encontravam para fabricar instrumentos típicos da música erudita. Violinos, violoncelos, violões, contrabaixos, flautas… Tudo feito a partir de sucata. O som não era o dos mais profissionais, mas rendia uma sonoridade única com um misto de súplica e denúncia, como se a comunidade dissesse: ‘’Ei, olha o que nós fazemos com o que vocês jogam aqui. Também somos civilizados, ao contrário do que pensam. ’’

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O grupo que toca esses instrumentos é chamado de Los Reciclados, e é formado por jovens que moram no entorno do lixão.  O diretor do projeto que ensina música a esses jovens se chama Favio Chavez, e com uma frase conseguiu resumir toda a discussão a respeito de ‘’riqueza’’: ‘’Um violino novo custaria mais que suas casas (referindo-se aos jovens). ‘’

Já existe no kickstarter (ferramenta que possibilita que qualquer um financie um projeto) a proposta de financiamento do filme que contará a história dessa orquestra de jovens. Sugiro que você, no mínimo, dê uma olhada no trailer e nas imagens. Se achar que deve, contribua. Projetos dessa magnitude vão muito além do que as horinhas gastas pelos jovens nessa favela paraguaia.  Torna-se um exercício humanista olhar para uma iniciativa como essa e não admirar, aplaudir e refletir.

A América Latina é grande e subdesenvolvida. Mas muito rica.

Veja o trailer e conheça a página do filme no facebook:

Machado de Assis e a sociedade atual. Um paralelo.

Machado de Assis e a sociedade atual. Um paralelo.

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Baixe aqui
o conto ”Teoria do Medalhão”, de Machado de Assis, que se encontra em domínio público.  São só sete páginas :) Boa leitura!
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Por Pedro Fraga

É intrigante notar a capacidade que os autores considerados canônicos têm de eternizar suas obras deixando-as absolutamente contextualizadas com a sociedade em que vivem. Mais interessante ainda é perceber que, séculos depois, revisitando tais obras, as críticas depositadas ali permanecem válidas e atuais, cabendo até comparações com os modos de vida da sociedade em que estamos inseridos. Na época em que ‘’Teoria do Medalhão’’ foi escrito, o Brasil vivia com uma classe dominante burguesa que vivia as custa de seus diplomas acadêmicos, mas tinha na troca de favores e no jogo de interesses a verdadeira base para as relações sociais. Um diálogo simplório a primeira vista, daqueles que comumente se vê entre um pai e filho quando este último se mostra apto a seguir sua carreira profissional, mas que denota um caráter absolutamente ácido e crítico. Essa é reflexão que Machado de Assis proporciona.  E é justamente essa facilidade de se criticar toda a sociedade carioca da época através de um diálogo entre pai e filho que reforça a já consagrada carreira do autor.

Vivemos hoje em uma sociedade que não só reforça o que Machado de Assis escreveu, mas que acrescenta inúmeros outros pontos a discussão.  O cenário político nacional é uma descrição precisa da relação baseada na troca de favores, que pode ser representada através dos casos de favorecimentos para esse ou aquele partido. Dígitos e mais dígitos de verbas partidárias são diariamente distribuídas entre nomes de influência nos centros legislativos para que esse ou aquele benefício seja adicionado para determinado grupo. A questão central dos órgãos que comandam o país deixou de ser os reais problemas que necessitam de atenção e se tornou uma interminável luta pelo poder, e o cargo com maior influência é o verdadeiro catalisador das discussões.

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A ideia central de Machado ao criticar a burguesia do final do século XIX que dominava o país, é mostrar o quanto pode ser prejudicial produzirmos profissionais que nunca sairão da zona de conforto proporcionada por seus diplomas. Atualmente, o que vemos é uma extensão desse discurso, que deixou de ser restrito somente aos diplomas universitários e se tornou um verdadeiro culto a mediocridade. Nas escolas brasileiras, a reprovação se tornou algo completamente inaceitável, mas não no sentido de excelência ou cobrança por resultados, e sim pela incapacidade de se melhorar o ensino básico. A nota mínima para a aprovação do aluno despencou, o incentivo a mediocridade aumentou. E ao invés de se investir em uma completa repaginação do sistema educacional brasileiro, a escola diz ao aluno que os seus esforços não serão recompensados. Assim como Machado de Assis descreve, é mais interessante manter-se na média necessária para comprovar que você está apto a seguir em frente do que, de fato, se destacar da maioria e trilhar um caminho de excelência.

Já é extremamente repugnante acompanhar um discurso de valorização da mediocridade vindo de um pai para um filho, porém, é esse choque que mais chama a atenção no conto de Machado. O pai, experiente e entendido da situação, guia seu filho a ‘’dançar conforme a música’’, no dito popular. Infelizmente, vivemos em uma realidade que obriga o indivíduo a se adequar ao sistema em que ele está inserido, e pensar nos inúmeros problemas que isso pode gerar não é incentivado. Em um trecho do conto, Machado de Assis deixa claro que, para que o filho consiga viver sem grandes problemas, ele não pode direcionar o seu tempo para reflexões: ‘‘… mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.’’. Porque refletir sobre determinado assunto, se algum cientista, filósofo ou sociólogo já o fez? Janjão, o filho, é instruído para que suas apostas sejam feitas sempre no que já está imortalizado, assim, as chances de erro são nulas. Apostar no certo, naquilo que já foi dito e repassado a todos como verdade. Esses, para o pai de Janjão, são os coerentes. São aqueles que se tornarão medalhões.

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Costumamos ironizar que o conteúdo aprendido nas salas de aula do curso de ciências humanas serve, muitas vezes, para usarmos em conversas triviais, em bares, restaurantes. Citar Freud, Marx, Nietzsche e outros que quebraram paradigmas com seus modos de pensar, pode fazer com o que o estudante de ciências humanas passe uma imagem estereotipada do intelectual, do instruído. No conto de Machado, é justamente isso que o pai tenta mostrar ao filho. Um medalhão, como explica o pai, é um indivíduo que aparenta ter conhecimento, sem de fato, tê-lo. No caso do estudante de ciências humanas, é muito simples. Pegamos um punhado de frases dos grandes pensadores, vomitamos isso em uma linha de raciocínio coerente e pronto. A visão do outro sobre nós é mudada. É nesse meio de vida baseado no status e na aparência que Machado faz de seu conto uma obra imortal.

Machado de Assis consegue através da sua ‘’Teoria do Medalhão’’ mostrar seu lado crítico e discute o maior problema da sociedade da época e da sociedade atual: a mediocridade estabelecida. Curioso, e absolutamente revoltante, é ver que, desde o final do século XIX, o modo de se gerar relações sociais no Brasil ainda seja por meio de troca de favores ou jogo de interesses. A aparência e o status social prevalecem, infelizmente, sobre as mentes propulsoras das discussões sociais relevantes.

Vinte centavos. Um resumo.

Vinte centavos. Um resumo.

Por Pedro Fraga

Estamos nos aproximando da terceira semana seguida de protestos e manifestações populares ao redor do Brasil. Ao longo dos dias que se passaram, o que víamos era uma massa ainda disforme, com um ideal claro – a diminuição do preço da tarifa de transporte público em São Paulo – e muita intensidade nas reivindicações. Sentindo no bolso o aumento de míseros vinte centavos, os estudantes e trabalhadores da capital paulista mostraram para o Brasil – e para o mundo – que a indignação frente a um governo que acoberta casos de corrupção, constrói estádios para enriquecer uma entidade privada já rica e não dá qualquer tipo de assistência médica para o trabalhador que movimenta a economia do país, estava entalada até a garganta.

Se refletirmos sobre esses atos de indignação, vamos constatar milhares de fatos discutíveis. O primeiro deles é a situação financeira do cidadão do maior centro econômico do país, que não consegue suportar um aumento de vinte centavos que, sem sombra de dúvida, fará falta no final do mês.  Se o sujeito pega dois ônibus por dia para ir e voltar do trabalho, quase dez por cento de um salário mínimo (que já não é muito) é gasto somente nas tarifas de ônibus. Cobrar três reais de tarifa por um transporte ruim, inseguro e pouco efetivo – cheio de atrasos por conta do trânsito mal planejado – já é assalto a mão armada. Aumentar mais vinte centavos, então, é crime hediondo.

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Foto: Desconhecida

Até aqui, tudo bem. Os protestos seguiam pacíficos e numerosos. Por algum motivo ainda obscuro, a polícia militar e a tropa de choque da cidade de São Paulo resolveram acabar com a ‘’vadiagem’’ dos manifestantes. Ao contrário do que a imprensa brasileira (que deixou claro sua ineficiência e incapacidade de fazer uma cobertura jornalística séria e não tendenciosa) mostrava nos primeiros momentos de confronto, os manifestantes não avançavam. A tropa de choque se posicionava, e quase instantaneamente, os manifestantes se sentavam ou recuavam com gritos de ‘’sem violência!’’. De forma covarde e despreparada, a tropa de choque avançou (obviamente, a mando de superiores sentados em suas poltronas confortáveis).

Sim, o confronto ocorreu. E foi justamente essa truculência desnecessária da polícia de São Paulo que impulsionou a maioria dos protestos que ocorreram no Brasil. Na rua, os manifestantes que gritavam por liberdade e direitos garantidos pela constituição se deram conta que o país era uma verdadeira peneira. Passaram, então, a gritar contra a impunidade dos corruptos, contra os problemas graves de infraestrutura, contra a superfaturação das obras dos estádios que serão utilizados na copa, etc., etc., etc…

E antes que comecem a falar sobre depredação, vandalismo e anarquia generalizada, vos digo: não houve revolução sem confronto. Obviamente, torço e peço aos manifestantes que mantenham suas reivindicações de forma pacífica. Mas a indignação do povo brasileiro é tamanha que nos faz repensar em que patamar está a verdadeira violência; quem será o verdadeiro contraventor disso tudo? Os manifestantes que saem as ruas pedir (veja bem, PEDIR) algo que já lhes é assegurado pela constituição brasileira, ou os governos municipais, estaduais e federal que não conseguem disponibilizar, por exemplo, leitos decentes para a população que adoece pelas próprias condições paupérrimas oferecidas nas capitais?

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Foto: Desconhecida

Foram vinte centavos que tiraram os paulistas de casa. Foram as ações covardes e despreparadas da polícia paulista (contra a ‘’galera dos vinte centavos’’) que tiraram os brasileiros de casa. E que continuem aparecendo problemas e mais problemas outrora escondidos sob a fachada de uma democracia que não funciona, porque, assim, mais pessoas saem de casa.

Dessa forma, gritaremos mais alto. E pelo visto, tem dado resultado. Arrisco-me a dizer, inclusive, que agora é tarde demais.

Ah… E a essa altura você já deve saber disso: A luta não é só por vinte centavos. Não mais.

**O governador e prefeito do Estado de São Paulo já revogaram o aumento de 3,20 centavos, assim como várias outras cidades brasileiras.