Por Pedro Fraga

livro-carl-sagan-palido-ponto-azul_MLB-O-2824199380_062012Um debate sempre agrega. Seja de cunho social, religioso ou, no nosso caso, ecológico. E é normal que em um debate, a área de conhecimento ou o limite intelectual de cada um conte para que seja estabelecida uma meta. Estudantes de ciências humanas não conseguirão, na maioria das vezes, debater sobre a origem do universo sem usar as já consagradas teorias, leis, etc. Esse limite intelectual, que neste exemplo se apega somente a um campo de conhecimento, afeta a todos os moradores da Terra quando o assunto, ou o debate, se trata de algo que está ‘’lá fora’’. O mais conceituado cientista, astrônomo ou físico só poderia supor que existem formas de vidas em outros planetas, por exemplo. A imensidão que o universo apresenta – e a pequenez que o nosso planeta representa nesse contexto – nos faz refletir: O que seria da raça humana, ou do nosso pequeno planetinha diante disso tudo?

O livro do famoso escritor, cientista, filósofo e poeta Carl Sagan, nos traz esse e inúmeros questionamentos a respeito da existência da raça humana. Pálido Ponto Azul é leitura obrigatória aos amantes da astronomia e da boa e velha filosofia, que em diversos momentos se cruzam e se opõem.

Reconhecendo que nós – os humanos – estamos neste planeta apenas de passagem, e que, embora pequeno, ele pode nos expulsar a qualquer momento, o livro é um interessante exercício de reflexão para os entusiastas das ideias sustentáveis. Como o próprio Carl Sagan diz: ‘’(…) somos santos e pecadores vivendo num grão de pó suspenso num raio de sol.’’

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Foto tirada a 6 bilhões de km de distância da Terra. Esse pequeno ponto circulado é o local que chamamos de ”lar”.

Ainda que o nosso planeta seja um grão de pó para o Universo, na visão terráquea, imprecisa e recente, esse é o lugar perfeito para que a espécie se estabeleça. Se não houver o cuidado com o nosso ‘’grão de pó suspenso’’, perderemos o pouco que nos mantêm vivos. Carl Sagan é extremamente feliz em seu livro quando aborda questões filosóficas a respeito da nossa visão em relação à Terra, e a visão que os possíveis extra-terrestres teriam em relação a nós. Ao final do livro, torna-se impossível não reconhecer a pequenez do local que habitamos, sem antes, é claro, não se apaixonar por esse pontinho insignificante no Universo.

Livro obrigatório.