O cinema brasileiro vem sofrendo um constante processo de ”hollywoodização”. Isso fica claro em filmes como ”Tropa de Elite 2”, ”O Homem do Futuro” e tantos outros que se aproveitaram da fórmula criada nos Estados Unidos, seja em técnicas de filmagem ou na abordagem dos temas. O que vemos em ”Meu país” não é um resgate ao cinema americano, mas ao cinema europeu, que consagrou vários diretores por suas técnicas únicas de filmar. O mais incrível é ver que o resgate ao cinema europeu pode ser transportado a um tema recorrente dos brasileiros: família.

André Ristum, diretor estreante com pinta de veterano, conta a história de Marcos (Rodrigo Santoro voltando a atuar em filmes brasileiros), um bem sucedido empresário que passou a morar na Itália com Giulia (Anita Caprioli), sua mulher. Após a morte de seu pai, Armando (Paulo José em rápida e brilhante atuação), Marcos se vê obrigado a voltar ao Brasil para resolver os problemas da empresa da família. Em São Paulo, Marcos revê seu irmão (Cauã Reymond) e descobre que não passa de um playboy irresponsável e endividado por seu vício em jogos de cartas. Para completar a lista de problemas, Marcos é procurado pelo médico de seu pai e descobre que tem uma meio-irmã (Débora Falabella) com problemas neurológicos.

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A fórmula que faz de ”Meu País” um filme excepcional, além da forma européia de filmar, é a identificação que grande parte das famílias terão ao acompanhar a história. Todos nós conhecemos famílias que se desestruturaram com a perda de seus ”líderes”. Aqui a figura do líder está no pai, Armando. Após sua morte, Marcos é obrigado a assumir o posto. A figura do irmão mais velho responsável também está presente em várias famílias brasileiras, aproximando mais uma vez a trama do espectador. É raro encontrar tamanha intensidade em filmes brasileiros que abordam a família, e aqui isso é evidente.

As atuações de Santoro e Reymond são boas e convincentes, especialmente o primeiro nas cenas de diálogo em italiano. Mas a verdadeira atuação vem de Debora Falabella, que interpreta a irmã de 24 anos com idade mental de uma criança. Dela absorvemos o verdadeiro sentido de felicidade, que, mesmo com sua doença, demonstra estar feliz em todos os momentos familiares. Afeto e tolerância são sentimentos recorrentes na narrativa.

meu pais

O clímax também é inovador, pois não tem o objetivo de definir o futuro de seus personagens, mas sim de abrir a discussão sobre família e responsabilidade, sempre com sutileza e ao mesmo tempo, intensidade. O futuro de André Ristum como diretor é altamente promissor e deve voltar em breve com nova produção. Eu vou esperar, pois esse é um dos melhores filmes de 2011.