Por Alinne Martins

Quantas vezes ao visitar um museu, no momento em que se está contemplando alguma obra de arte,
de preferência contemporânea, escuta-se ao fundo: “até meu sobrinho de 5 anos desenha isso”?

Essa problemática está vinculada ao foco estético do período, de característica transitória, que acompanha toda a história e estética da arte.
Podemos começar relembrando os primeiros passos sobre o estudo e discussão da arte com Leon Battista Alberti que além de filósofo era pintor, músico e escultor. Alberti traz como justificativa de sua teoria da arte alguns argumentos que Platão utilizava para denominar tanto a retórica como a poesia e a matemática, de que toda representação artística tem que ter como fundamento a mimética do mundo real, ou seja, uma réplica da natureza, sendo a ideia de arte muito além da eloquência.

Com isso, considera válida as obras que tenha como base o período clássico, pois é nesse momento que o homem se dedica por completo ao estudo da natureza e , portanto, através dessas obras se estaria analisando diretamente o mundo natural.
Logo após Alberti se tem uma lista grandiosa de filósofos e críticos que se opõem ou fundamentam ainda mais essas teses, como Bellori, Vasari e Lomazzo.

Laocoonte, Arte Grega

 

Como qualquer área da história, a trajetória e o foco estético, vão modificando-se de acordo com as teorias criadas e os contextos históricos vividos, e na arte contemporânea não poderia ser diferente. Já vimos que a ” arte verdadeira” só existiria se fosse cópia da natureza, assim como em outros momentos ela só era considerada se fosse produzida através dos fundamentos maneiristas, e, em outros se fosses retratados o progresso e movimento das figuras(Futurismo), ou, ainda, se ela simplesmente não representasse nada (Dadaísmo).

Por fim, neste contexto atual, nosso foco está na arte conceitual, que coloca a arte como fonte de informações e ideias, e não como uma concepção estética. Joseph Kosuth em 1970, expõe no MoMa sua obra que consiste em três formas de cadeiras:

uma cadeira dobrável comum

 uma fotografia da mesma em prata coloidal

uma imagem aumentada de uma definição de dicionário da palavra ” cadeira”

A obra tem como objetivo estimular o observador a pensar na mesma ideia, mas em três meios diferentes: a ideia física, a representativa e a verbal do objeto. Kosuth expressa de forma clara o conceito vigente ao dizer: ” a expressão está na ideia, e não na forma – as formas são apenas um artifício a serviço da ideia.”(1970,pp.502)

Kosuth_OneAndThreeChairs

 

Com isso, força-se a análise de como a arte e a cultura são esculpidas por meio de linguagem e de significados, e não por meio apenas da estética, do estilo e da “falta de perfeição” do traço, que permitiria que seu sobrinho de 5 anos fizesse o mesmo.

Bibliografia
ALBERTI, Leon Batista. Da Pintura. (Trad.: Antônio da Silva Mendonça) Campinas: Ed. da
UNICAMP, 1992 cap. 2 e 3: pp 95 – 140

STEPHEN, Farthing. This is Art.London: Ed.Quintessence Editions Ltda. da GMT, 2010 cap. 6
:pp 502