Mr. Fly l Moda Sustentável - peças ecológicas e conteúdo consciente

Resenha do livro: Estilhaça-me

Resenha do livro: Estilhaça-me

Por Pedro Fraga

Essa resenha não tem spoilers.

Estilhaça-me se passa em um futuro distópico, onde o Restabelecimento, um grupo, assumiu o governo. Isso aconteceu enquanto o planeta se afundava e a comida acabava. A energia era escassa e os animais e plantas não tinham mais condições mínimas de sobrevivência. Com a população enfraquecida, o Restabelecimento tratou logo de criar um regime ditatorial e controlador.

Dentro desse contexto está a nossa protagonista, Juliette. No auge de seus 17 anos, a menina não só guarda mágoas e sofrimento em relação a seus pais, como tem dentro de si um poder curioso: Seu toque pode matar. Penso estar escrevendo para nerds, e como bons no que fazem, sei que conhecem X-Men, aquela turma da revista em quadrinhos. Lembram da Vampira? Então, é bem por aí.

O livro começa com a nossa protagonista em uma espécie de manicômio. Ela foi jogada lá por seus pais, assim que o Restabelecimento se estabeleceu (Tu dum tss). A exatos 264 dias ela está confinada, recebendo comida uma vez por dia e sem poder ter contato com o exterior do edifício ou com algum humano. Até que entra em cena Adam, um rapaz forte e sorridente, que também não é louco para estar ali. Adam vira companheiro de ‘’cela’’ de Juliette, e começa a atualizá-la de tudo  o que se passa ‘’lá fora’’, até que, do nada, os dois são libertados. E é quando começa o livro, de fato.

banpromoestilha

Uma viagem sensitiva e repetitiva

A autora estreante Tahereh Mafi faz um trabalho arriscado em seu primeiro romance. O livro é narrado em primeira pessoa, e por conta da construção da personagem Juliette, encontramos o primeiro grande erro. Como Juliette passa muito tempo sem poder encostar em alguém, suas sensações e sentimentos são todos idealizados e descritivos. Ela não pode ‘’sentir’’,  não pode haver contato. Essa falta de ‘’tato’’ faz com que os primeiros capítulos do livro sejam absolutamente repetitivos e descritivos. Os sentimentos da garota são explicitados através de palavras e pensamentos, o que acontece de parágrafo em parágrafo. Mas, esse pode ser um ponto positivo também, já que essa viagem sensitiva nos coloca em posição de pensar a respeito. Como seria se nós não pudéssemos sentir um aperto de mão, ou um abraço?

Um elemento visto até metade do livro e que, felizmente, é deixado de lado para que a história corra solta, é o uso dos malditos riscos. Tahereh Mafi quis passar ao leitor a sensação de insegurança e confusão na construção dos pensamentos de Juliette, e para isso, abusa dos tais riscos. Poderia até traçar um paralelo com a opressão e com a censura que um regime ditatorial impõe, mas não acho que a autora tenha ido tão longe. Vou dar um exemplo prático de como isso é empregado no livro.

Juliette conhece Adam, seu companheiro de cela. Em sua mente ela pensa: Esse é o meu lindo e maravilhoso companheiro de cela?  É provável que tenha gente que se identifique com a linguagem. E é bem mais fácil que as mulheres se identifiquem, até porque, a história de Juliette, e isso inclui os sentimentos e pensamentos, são escritos através de uma ótica feminina.

2012-04-13-16.05.40

São dois livros – O começo e o resto.

Como dito no parágrafo anterior, o livro é dividido entre o começo repetitivo e o restante da leitura. O interessante é que passado esse período de descrição e sensações não experimentadas, a história segue livre. E sim, é bastante proveitosa.

Os textos absolutamente bem escritos de Tahereh conseguem te transportar até o local descrito e mergulhá-lo em inúmeras sensações que a própria personagem principal sente. Passar desespero ao leitor, e dali a pouco causar alívio; é tudo bem construído para causar imersão.

Leitura maçante no começo, e envolvente do meio para o fim. Não é uma obra memorável, mas é envolvente para uma tarde tediosa de chuva. Esse é o primeiro livro que compõe a trilogia. Esperaremos os próximos. Sem muita expectativa, claro.

Ficha técnica – Estilhaça-me

Autores: Tahereh Mafi

Tradução: Robson Falchetii Peixoto

ISBN: 9788563219909

Selo: Novo Conceito 

Ano: 2012

Edição: 1

Número de páginas: 304

Porque Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan, precisa ser lido.

Porque Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan, precisa ser lido.

Por Pedro Fraga

livro-carl-sagan-palido-ponto-azul_MLB-O-2824199380_062012Um debate sempre agrega. Seja de cunho social, religioso ou, no nosso caso, ecológico. E é normal que em um debate, a área de conhecimento ou o limite intelectual de cada um conte para que seja estabelecida uma meta. Estudantes de ciências humanas não conseguirão, na maioria das vezes, debater sobre a origem do universo sem usar as já consagradas teorias, leis, etc. Esse limite intelectual, que neste exemplo se apega somente a um campo de conhecimento, afeta a todos os moradores da Terra quando o assunto, ou o debate, se trata de algo que está ‘’lá fora’’. O mais conceituado cientista, astrônomo ou físico só poderia supor que existem formas de vidas em outros planetas, por exemplo. A imensidão que o universo apresenta – e a pequenez que o nosso planeta representa nesse contexto – nos faz refletir: O que seria da raça humana, ou do nosso pequeno planetinha diante disso tudo?

O livro do famoso escritor, cientista, filósofo e poeta Carl Sagan, nos traz esse e inúmeros questionamentos a respeito da existência da raça humana. Pálido Ponto Azul é leitura obrigatória aos amantes da astronomia e da boa e velha filosofia, que em diversos momentos se cruzam e se opõem.

Reconhecendo que nós – os humanos – estamos neste planeta apenas de passagem, e que, embora pequeno, ele pode nos expulsar a qualquer momento, o livro é um interessante exercício de reflexão para os entusiastas das ideias sustentáveis. Como o próprio Carl Sagan diz: ‘’(…) somos santos e pecadores vivendo num grão de pó suspenso num raio de sol.’’

palido_ponto_azul

Foto tirada a 6 bilhões de km de distância da Terra. Esse pequeno ponto circulado é o local que chamamos de ”lar”.

Ainda que o nosso planeta seja um grão de pó para o Universo, na visão terráquea, imprecisa e recente, esse é o lugar perfeito para que a espécie se estabeleça. Se não houver o cuidado com o nosso ‘’grão de pó suspenso’’, perderemos o pouco que nos mantêm vivos. Carl Sagan é extremamente feliz em seu livro quando aborda questões filosóficas a respeito da nossa visão em relação à Terra, e a visão que os possíveis extra-terrestres teriam em relação a nós. Ao final do livro, torna-se impossível não reconhecer a pequenez do local que habitamos, sem antes, é claro, não se apaixonar por esse pontinho insignificante no Universo.

Livro obrigatório.

Dica de leitura – Entre sem Bater

Dica de leitura – Entre sem Bater

O post de hoje traz uma dica de leitura para quem gosta de decoração e ideias criativas para sua casa. O designer paulista Marcelo Rosenbaum detalha todo o processo de construção de sua própria casa com boas dicas de sustentabilidade.

A convite da Editora Abril, o designer, que já mudou a morada de tantas pessoas, através do quadro ‘Lar Doce Lar’ do programa global Caldeirão do Huck, conta a história da reforma de sua casa, que durou um ano. Em 12 capítulos, o livro percorre as memórias do Rosenbaum menino e prossegue com as viagens de pesquisa do Rosenbaum adulto pelo Brasil afora. As influências culminam na opção de montar uma casa para a família na busca de um projeto ideal.

Como a sustentabilidade é uma preocupação no trabalho do designer, muitos critérios foram utilizados e o autor compartilha isso no livro “Entre sem Bater”.  Segundo Marcelo, ao erguer uma casa, deve-se pensar no homem e também na sua relação com a natureza e com o espaço que ocupa. O processo de construção de um lar mais comprometido com a sustentabilidade tem a intenção de inspirar as pessoas a adotarem práticas em suas próprias casas.

O livro descreve, ainda, alguns trabalhos de Rosenbaum que seguem a linha da sustentabilidade. Vale a pena conferir algumas dicas. Entre sem bater já está a venda nas  livrarias do país.