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E se existisse um parque do Pequeno Princípe? :O

E se existisse um parque do Pequeno Princípe? :O

Se você já gostava do “Pequeno Príncipe” nos livros agora imagine num parque de diversões!

É exatamente isso. O universo poético de “O Pequeno Príncipe”, obra do escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, inspirou a criação de um parque de diversões aberto no início de julho nos arredores de Mulhouse, na região francesa da Alsácia, a dez quilômetros da fronteira com a Alemanha.

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O empreendimento foi idealizado por uma empresa especializada em balões aeroestáticos e o Parque do Pequeno Príncipe tem como atração principal dois balões para representar os planetas do rei e do acendedor de lampiões. Em um deles, a 150 metros de altura, os visitantes poderão observar a paisagem da bela região da Alsácia, a Floresta Negra alemã e os Alpes. O segundo balão terá um bar! Isso!  para até 15 pessoas, a 35 metros de altura.

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O parque de 24 hectares foi construído em seis meses com 31 atrações. Neste primeiro ano, os administradores esperam 80 mil visitantes. No ano que vem, 150 mil. Mesmo com diversas atrações tecnológicas, o parque — como o livro, publicado em 1943 e traduzido para 285 línguas — se trata mais de reduzir a velocidade e dar atenção às pequenas coisas.

Quer saber mais sobre o parque? Clique aqui!

No dia nacional do livro, veja duas indicações literárias!

No dia nacional do livro, veja duas indicações literárias!

Muitos se perguntam sobre qual seria a melhor a forma de educar uma criança. Certamente não poderia responder isso sem pesquisas, métodos científicos, etc. Mas poderia, ao menos, descrever de que forma fui educado, e que, ao meu ver, parece ter funcionado. Sempre defendi a cultura como parte fundamental da criação de uma criança, e quando digo cultura me refiro a formação intelectual, ao conhecimento de mundo. Não há, pelo menos até o momento, um produto cultural que instrua, instigue e forme uma criança melhor do que um bom e velho livro. Seja ele uma ficção científica, um épico, um livro de poesias ou até acadêmico. Não importa. O hábito de ler desperta em uma criança a criatividade, a imaginação e proporciona viagens que transcendem o mundo físico.

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Por isso, nesse dia 29 de outubro, dia nacional do livro, separamos três posts relacionados ao mundo literário que já foram publicados aqui no blog. Se você não pode ler, chegou a hora!

 – Um livro voltado para o público feminino e com conceitos distópicos bastante interessantes. Esse é o Estilhaça-me, da então estreante Tahereh Mafi. Leia a resenha clicando aqui!

– Um livro obrigatório a todos os fãs de ciência e ficção científica, do mestre Carl Sagan: Pálido Ponto Azul. Leia o texto clicando aqui!

– Um debate! Qual é a sua preferência: Livros impressos ou e-books? Leia clicando aqui!

Machado de Assis e a sociedade atual. Um paralelo.

Machado de Assis e a sociedade atual. Um paralelo.

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Baixe aqui
o conto ”Teoria do Medalhão”, de Machado de Assis, que se encontra em domínio público.  São só sete páginas :) Boa leitura!
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Por Pedro Fraga

É intrigante notar a capacidade que os autores considerados canônicos têm de eternizar suas obras deixando-as absolutamente contextualizadas com a sociedade em que vivem. Mais interessante ainda é perceber que, séculos depois, revisitando tais obras, as críticas depositadas ali permanecem válidas e atuais, cabendo até comparações com os modos de vida da sociedade em que estamos inseridos. Na época em que ‘’Teoria do Medalhão’’ foi escrito, o Brasil vivia com uma classe dominante burguesa que vivia as custa de seus diplomas acadêmicos, mas tinha na troca de favores e no jogo de interesses a verdadeira base para as relações sociais. Um diálogo simplório a primeira vista, daqueles que comumente se vê entre um pai e filho quando este último se mostra apto a seguir sua carreira profissional, mas que denota um caráter absolutamente ácido e crítico. Essa é reflexão que Machado de Assis proporciona.  E é justamente essa facilidade de se criticar toda a sociedade carioca da época através de um diálogo entre pai e filho que reforça a já consagrada carreira do autor.

Vivemos hoje em uma sociedade que não só reforça o que Machado de Assis escreveu, mas que acrescenta inúmeros outros pontos a discussão.  O cenário político nacional é uma descrição precisa da relação baseada na troca de favores, que pode ser representada através dos casos de favorecimentos para esse ou aquele partido. Dígitos e mais dígitos de verbas partidárias são diariamente distribuídas entre nomes de influência nos centros legislativos para que esse ou aquele benefício seja adicionado para determinado grupo. A questão central dos órgãos que comandam o país deixou de ser os reais problemas que necessitam de atenção e se tornou uma interminável luta pelo poder, e o cargo com maior influência é o verdadeiro catalisador das discussões.

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A ideia central de Machado ao criticar a burguesia do final do século XIX que dominava o país, é mostrar o quanto pode ser prejudicial produzirmos profissionais que nunca sairão da zona de conforto proporcionada por seus diplomas. Atualmente, o que vemos é uma extensão desse discurso, que deixou de ser restrito somente aos diplomas universitários e se tornou um verdadeiro culto a mediocridade. Nas escolas brasileiras, a reprovação se tornou algo completamente inaceitável, mas não no sentido de excelência ou cobrança por resultados, e sim pela incapacidade de se melhorar o ensino básico. A nota mínima para a aprovação do aluno despencou, o incentivo a mediocridade aumentou. E ao invés de se investir em uma completa repaginação do sistema educacional brasileiro, a escola diz ao aluno que os seus esforços não serão recompensados. Assim como Machado de Assis descreve, é mais interessante manter-se na média necessária para comprovar que você está apto a seguir em frente do que, de fato, se destacar da maioria e trilhar um caminho de excelência.

Já é extremamente repugnante acompanhar um discurso de valorização da mediocridade vindo de um pai para um filho, porém, é esse choque que mais chama a atenção no conto de Machado. O pai, experiente e entendido da situação, guia seu filho a ‘’dançar conforme a música’’, no dito popular. Infelizmente, vivemos em uma realidade que obriga o indivíduo a se adequar ao sistema em que ele está inserido, e pensar nos inúmeros problemas que isso pode gerar não é incentivado. Em um trecho do conto, Machado de Assis deixa claro que, para que o filho consiga viver sem grandes problemas, ele não pode direcionar o seu tempo para reflexões: ‘‘… mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.’’. Porque refletir sobre determinado assunto, se algum cientista, filósofo ou sociólogo já o fez? Janjão, o filho, é instruído para que suas apostas sejam feitas sempre no que já está imortalizado, assim, as chances de erro são nulas. Apostar no certo, naquilo que já foi dito e repassado a todos como verdade. Esses, para o pai de Janjão, são os coerentes. São aqueles que se tornarão medalhões.

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Costumamos ironizar que o conteúdo aprendido nas salas de aula do curso de ciências humanas serve, muitas vezes, para usarmos em conversas triviais, em bares, restaurantes. Citar Freud, Marx, Nietzsche e outros que quebraram paradigmas com seus modos de pensar, pode fazer com o que o estudante de ciências humanas passe uma imagem estereotipada do intelectual, do instruído. No conto de Machado, é justamente isso que o pai tenta mostrar ao filho. Um medalhão, como explica o pai, é um indivíduo que aparenta ter conhecimento, sem de fato, tê-lo. No caso do estudante de ciências humanas, é muito simples. Pegamos um punhado de frases dos grandes pensadores, vomitamos isso em uma linha de raciocínio coerente e pronto. A visão do outro sobre nós é mudada. É nesse meio de vida baseado no status e na aparência que Machado faz de seu conto uma obra imortal.

Machado de Assis consegue através da sua ‘’Teoria do Medalhão’’ mostrar seu lado crítico e discute o maior problema da sociedade da época e da sociedade atual: a mediocridade estabelecida. Curioso, e absolutamente revoltante, é ver que, desde o final do século XIX, o modo de se gerar relações sociais no Brasil ainda seja por meio de troca de favores ou jogo de interesses. A aparência e o status social prevalecem, infelizmente, sobre as mentes propulsoras das discussões sociais relevantes.