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Indicação cultural: REC

Indicação cultural: REC

Como qualquer grande indústria, o cinema tenta, de todas as formas, elevar sua margem de lucro o mais alto possível. A nova onde de filmes independentes e de baixo orçamento é a melhor maneira de consolidar isso. Um filme feito com no máximo 1 milhão de dólares e gera 50 mostra que apoiar pequenas produções tem se tornado algo muito interessante. Talvez um dos maiores exemplos seja o do filme espanhol [REC].

A trama é deveras simples. Logo de cara fica claro que a estética de filme ”Câmera na mão”, tão usada em Bruxa de BlairCloverfield e outros, dará um toque mais indie  a produção. A partir disso, o filme se desenvolve mostrando a jornalista (que não parece ter muita prática) Angelina (Manuela Velasco bem e convincente) em uma corporação de Bombeiros. Ela e seu cinegrafista, Pablo, tem a missão de documentar a difícil rotina dos bombeiros de Barcelona, na Espanha, para um programa chamado ”Enquanto você dorme”. Um chamado que parecia normal leva uma dupla de bombeiros com a jornalista e seu cinegrafista para a ocorrência : Uma mulher estava presa dentro de seu apartamento.

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Isso bastou para que, de forma totalmente inexplicável, o prédio fosse interditado e lacrado!  Com a ajuda de dois policias que já estavam no local, os bombeiros e a dupla de reportagem investigaram o que estava acontecendo naquele local estranho. Após discussões com moradores, pessoas baleadas, sangue escorrendo escada abaixo e tudo de mais anormal possível, o grupo que foi impedido de sair do prédio fica sabendo através de um inspetor sanitário (devidamente trajado com roupas de combate a bombas nucleares!) que um vírus altamente contagioso foi rastreado e está colocando em risco as pessoas do prédio. Zumbis estão agora por toda a parte…

Essa premissa basta para que um filme de 100 milhões de dólares faça algo sensacional. Mas, como dito no início do texto, esse filme custou muito menos que isso. Muito menos. E pelo custo investido, olhando o material final, o filme é algo fantástico. Não consegui ver falhas na maquiagem dos ”infectados”, ou nos efeitos sonoros, nem nada disso. Se existe algum erro, está muito discreto. Assisti duas vezes e é difícil acreditar que esse filme foi feito com orçamento apertado.

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A direção é algo mais curioso ainda, já que os responsáveis Jaume Balagueró e  Paco Plaza foram também os câmeras do filme. Será que existe forma melhor de passar algo para os espectadores do que dirigir um filme com a câmera na mão?

Os espanhóis, assim como os japoneses, tem uma visão para filmes de terror bem diferente daquela que vemos em filmes americanos. Eu, particularmente, gosto muito dessa visão peculiar de deixar de lado o sobrenatural, os demônios, a relação de bem e mal, e investir em um terror mais real, como o terror biológico, ou desastre químico. Algo que com certeza aterroriza qualquer pessoa. Imagine um vírus mutável, assim como o da gripe, viajando na velocidade da luz e que pode te transformar em algo totalmente insociável e te levar a devorar seus próprios familiares… Assustador, não?

É isso que [REC] tem de melhor. Aproximar um pouco o espectador do terror que aquelas pessoas passam. Independentemente da crença ou da religião, qualquer um pode ser exposto a algo desse tipo. Não é preciso ser católico para ver ”O Exorcista”, mas é preciso acreditar em Deus, diabo, demônios etc. [REC] só exige que você apague as luzes da sua sala, antes de assisti-lo.

Porque o filme Xingu deve ser visto.

Porque o filme Xingu deve ser visto.

Por Pedro Fraga

Durante o início do século 19, os Estados Unidos foram em direção ao oeste do país a procura de ouro. Essa gigantesca mobilização da população ficou conhecida como a ‘’marcha para o Oeste’’, e tinha como propósito explorar e conquistar o bem mais precioso do país naquela época. No Brasil, em meados dos anos 40, ocorreu a nossa ‘’marcha para o oeste’’, e como de costume, o objetivo era a maior riqueza brasileira. Não o ouro, mas sim o que nos categoriza como um dos países em constante desenvolvimento: as terras. É nesse contexto que Xingu (2012) é fundamentado.

A maior reserva indígena brasileira, a reserva do Xingu, fez 50 anos em 2011, e o filme dirigido por Cao Hamburguer (do ótimo O Ano em que meus País Saíram de Férias) estreou com o papel de mostrar um local que, mesmo tendo contribuído com progresso, não deveria ter sido tocado.

O filme conta a história dos irmãos Vilas-Bôas (que de fato existiram). Orlando (Felipe Camargo), Claudio (João Miguel) e Leonardo (Caio Blat),foram homens bem instruídos que decidiram se passar por peões, e embarcar na chamada ‘’marcha para o oeste’’ brasileiro. O objetivo era mapear, avançar e tomar posse do resto do território que pertencia (e ainda pertence) ao Brasil, mas que era inóspito demais para ter sido explorado anteriormente. Embarcando com um instinto aventureiro, os irmãos entram em contato com tribos indígenas até então desconhecidas, e passam a dar valor humanístico aos índios, até então mal vistos.

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Recheada de paisagens belíssimas que compõem o interior mato-grossense, a fotografia do filme é fantástica. Colocadas como algo intocável, as belas matas criam o ambiente perfeito para desenvolver o caráter documental que o filme necessitava. Não me refiro a linguagem, mas sim ao papel de instruir o espectador de que aquilo que o governo brasileiro fez nos anos 40 é questionável.  Os índios que outrora povoavam aquele local, já estavam ali muito antes da expedição.

Com atuações seguras e direção idem, Xingu é um ótimo exemplo para aqueles que desejam conhecer um pouco mais a respeito da expedição que, apesar do progresso que trouxe ao Brasil, acabou devastando tribos e mais tribos.

Em tempos de importação de culturas, um registro histórico dessa qualidade não poderia ter vindo em momento mais propício. Valorizar a cultura que está enraizada em nosso país é preciso, e Cao Hamburguer e sua equipe o fazem de forma louvável.

Porque Wall-e não é só mais um filme

Porque Wall-e não é só mais um filme

Por Pedro Fraga

O público que consome produtos culturais nos dias de hoje está inconscientemente (e automaticamente) desmotivado a apreciar obras com alto teor de didatismo. Falar sobre ecologia, por exemplo, é uma tarefa absolutamente difícil. Diria até que é quase impossível. A questão ambiental do planeta não é abordada da maneira correta pelos noticiários, pelos jornais ou pelos meios de comunicação em geral. E quando decidem abordar o assunto, o fazem de forma cansativa e acabam afastando o grande público.

É por isso que quando surge um produto como Wall-e (2008), vindo de um estúdio gigantesco de Hollywood, nós temos a obrigação de apreciar a obra e passa-la para o maior número de pessoas possíveis.  Através do cinema, o estúdio Pixar difundiu a ideia catastrófica de um mundo cheio de lixo e levantou um importante debate sobre a reciclagem e a preservação do meio ambiente. E o que é melhor… Para crianças, adultos e idosos. Sem exclusão ou exigência de conhecimento. A obra funciona para uma criança de 10 anos, por exemplo, e funciona também para o veterano cinéfilo, que vai encontrar ali milhares de referências aos grandes clássicos do cinema.

O filme tem direção de Andrew Stanton (responsável também por Procurando Nemo e Vida de Inseto) e conta a história de Wall-e, um robozinho encarregado de prensar e empilhar toda a sujeira produzida pelos humanos. Logo no início, Wall-e nos apresenta o planeta Terra, absolutamente descuidado e tomado por imensas pilhas de lixo e sucata. Como bom filme da Pixar, a ideia central é encantar os mais jovens, porém, as cenas de abertura nos levam a um imenso sentimento de culpa por aquela atrocidade. A Terra é retratada sem vida, morta. E os humanos não estão mais aqui, já que as condições de vida foram parar, literalmente, no espaço.

Se a Pixar tem esse poder de dar vida a seres inanimados (já o fizeram com carros, brinquedos…), ela decidiu, por bem, retirar toda a vida presente na Terra para passar a mensagem.  As pessoas que assistem ao filme se encantam, ao mesmo tempo, com o robozinho e sua missão impossível de ‘’limpar’’ a Terra e aprendem sobre a importância de se reciclar todos os materiais que permitem essa atividade para que as próximas gerações vivam de forma saudável. Não há como deixar de elogiar uma obra que inspira a nova geração a cuidar desde cedo do planeta, e conscientiza os mais velhos de que os seus filhos, netos e bisnetos irão habitar a Terra no futuro, e para isso, é preciso respeitar a vida que aqui existe.
Como é mostrado no filme, uma pequena plantinha (a última, no caso) deve ser regada e cuidada com todo o carinho para que o que temos hoje, seja preservado.  E que possamos, diferente dos personagens do filme, não sentir nenhum tipo de arrependimento em relação ao nosso planeta.

É imprescindível que cuidemos imediatamente do planeta para que não precisemos recorrer a medidas como a do filme. Criar um robô para entulhar lixo será absolutamente desnecessário se cada um fizer a sua parte. Cuidar do planeta é dever de todos. E, por isso, Wall-e precisa ser visto.

Gostou? Confira o trailer: