Por Pedro Fraga

A minha geração acompanhou de perto o trabalho de um artista da animação em particular. Crescemos assistindo O Laboratório de Dexter e Samurai Jack, sendo esse último uma das maiores revoluções no mundo das animações. Mundialmente conhecido pelos trabalhos atuais em Star Wars: The Clone Wars, Genndy Tartakovsky assumiu a cadeira de diretor no longa metragem Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania, 2012), e mesmo tendo Adam Sandler e sua turma por trás do projeto consegue divertir como nenhum outro filme de animação do ano.

No século XIX, com o cenário de perseguição aos monstros e criaturas das trevas, o Conde Drácula decide construir um refúgio de paz e tranquilidade para aqueles que ganham a vida assustando. Assim nasceu o Hotel Transilvânia, que leva em seu slogan o compromisso de manter os humanos bem longe. A filha do vampiro mais famoso do mundo está completando 118 anos, e durante a maior temporada do hotel, um humano aparece para ‘’infernizar’’ as férias dos hóspedes e estragar os planos da festa de aniversário da vampirinha.

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Uma animação atrelada à comédia, como é o caso de Hotel Transilvânia, é olhada com outros olhos quando o nome de Adam Sandler está nos créditos finais. É fato que Sandler não é um dos comediantes mais talentosos atualmente (e seu maior papel está num filme dramático, diga-se de passagem), mas o preconceito gerado em cima de seus trabalhos é tamanho que já basta o nome do cidadão em um pôster que o rótulo de ‘’lixo’’ aparece automaticamente. E Hotel Transilvânia sofre muito disso, especialmente aqui no Brasil. Sandler é produtor executivo do filme, e boa parte dos dubladores originais está diretamente ligada a ele, já que estão em quase todos os filmes que Sandler produz. Não é problema nosso, porque a dublagem brasileira é bem divertida. Apenas um personagem sofre com o problema dos sotaques forçados, mas ele fala pouco.

O traço que diferencia os trabalhos de Tartakovsky infelizmente não está presente. Os rostos genéricos e que podem ser vistos na maior parte dos filmes da Dreamworks, por exemplo, deixam a desejar e se mostram o ponto mais fraco do filme. Em contrapartida, o carisma dos personagens consegue contornar a pouca originalidade no traço. Temos, por exemplo, o lobisomem pai de família, que sofre com sua enorme quantidade de filhotes. Temos uma múmia guitarrista, um homem invisível que jura que tem cabelo grande e muitos outros personagens secundários que conseguem arrancar várias risadas da molecada.

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E como não poderia faltar, temos aquela boa zoação com a mitologia fracassada de Crepúsculo e suas fadas, digo, vampiros. O Conde Drácula, vendo aquela baboseira na TV, manda um: ‘’A que nível fomos rebaixados… ’’.

A abordagem dos roteiristas Peter Baynham e Robert Smigel é extremamente bem sucedida quando coloca os monstros na posição dos humanos e vice-e-versa. Uma história sobre preconceito, ainda que sob a fachada de um amor adolescente. Várias piadas funcionam e mesmo se apoiando no clichê para concluir a trama, é possível sair satisfeito do cinema.

Fácil, dinâmico e divertido. Esse é Hotel Transilvânia.