Por Pedro Fraga

Os países desenvolvidos do oriente são conhecidos por seus ensinamentos e valores sociais. É bem verdade que, após algumas manchas na história de países como Coreia do Sul e Japão, o desenvolvimento econômico tomou proporções gigantescas. Seoul é uma das capitais mais ricas e promissoras do mundo. O que falar de Tóquio? A capital não tem mais para onde crescer, mas não por falta de oportunidade, e sim por falta de espaço. Obviamente, o desenvolvimento de um país necessita de uma matriz energética que acompanhe o crescimento proporcionalmente, sem que haja perda ou insuficiência no abastecimento. Para isso, o Japão apostou na energia nuclear.

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Usina nuclear japonesa.

Infelizmente, o Japão passou por episódios recentes que acabaram forçando uma reflexão a respeito da matriz energética utilizada. A tragédia que ocorreu na usina nuclear de Fukushima não só preocupou a comunidade internacional como abalou o país, mais uma vez, com o vazamento de elementos radioativos. Dois anos após o acidente, as autoridades da cidade demonstram preocupação, já que o material radioativo demora um bom tempo para perder toda a radiação. As atividades de pesca da região foram todas suspensas, e de acordo com o último levantamento, os peixes da região estão com cinco mil vezes mais radioatividade do que o permitido por lei.

Mas espera aí. Pedro, você me disse que o Japão é um país extremamente desenvolvido… Não estaria na hora de mudar a matriz energética para algo menos prejudicial? Uma forma de energia sustentável, talvez? Essa pergunta foi feita a dois anos atrás, quando a tragédia ainda era novidade. De fato, a energia nuclear é uma excelente fonte de energia, ainda mais se o país que a implementa precisa de um abastecimento diário absurdo. Entretanto, a manutenção que uma usina nuclear necessita é exclusiva e tem que ser feita por profissionais altamente treinados, além de ser bastante cara. Para o Japão, no presente momento, outras formas de abastecimento energético estão fora de cogitação.  Atualmente, a produção energética japonesa tem cinquenta e quatro reatores nucleares, e isso gera trinta por cento de toda a energia consumida no país.  Mesmo que a ONU intervenha, ou que os países que mantêm acordos comerciais pressionem para que a energia eólica, por exemplo, seja implantada, o Japão não o fará tão cedo. Para ser mais claro, sem a energia nuclear que hoje abastece o Japão, o país simplesmente não produz.

Fukushima

Destroços deixados pela tragédia nuclear de Fukushima

Ainda que haja um intenso estudo para que a energia nuclear seja substituída, o Japão não conseguirá fazer isso tão cedo. O caso é complicado, pois trata não só do interesse de uma minoria, mas de uma nação inteira. O Japão corre riscos usando energia radioativa, sim. Mas uma potência como a terra do sol nascente não pode simplesmente parar suas atividades mais importantes, sem um prazo.

O Japão tem um imenso desafio pela frente. Já são dois anos desde a tragédia, e não há perspectiva de mudança. Pelo menos, não por agora.