Por Pedro Fraga

A divisão de gêneros e de público alvo nos filmes comerciais (blockbusters) é bastante simples. Existem filmes voltados para o público adulto, juvenil e infantil. Cada um estabelece suas regras e modelos, além de atingir uma parcela específica dos consumidores da sétima arte. No meio desse caminho claramente dividido e fragmentado, existe uma empresa que sempre se preocupou em agradar o mais ingênuo dos garotos, o mais chato dos adolescentes e até o mais experiente dos senhores. Essa é a Pixar, um estúdio de animação que despeja vida em carros, brinquedos e, no nosso caso, monstros!

Em 2001 foi lançado o filme Monstros S.A., um sucesso de bilheteria e de aceitação da crítica. Doze anos depois, com Universidade Monstros (Monsters University, 2013), o estúdio decidiu contar a história que antecede os acontecimentos do filme de origem. Mike Wazowski e Jimmy Sullivan não estão na gloriosa companhia de sustos Monstros S.A., e sim iniciando suas vidas acadêmicas na Universidade Monstros, onde decidem cursar o ‘’programa de sustos’’. Com o objetivo de se tornarem ‘’assustadores profissionais’’, Mike e Sullivan se estranham por não compartilharem das mesmas qualidades: Mike é extremamente esforçado e inteligente, mas não assusta uma mosca; já Sullivan é filho de um famoso ‘’assustador profissional’’ e tem no sangue a qualidade de assustar, mas não se esforça e não assimila conteúdo muito bem. Juntos, os dois precisam superar muitos obstáculos para alcançar seus sonhos (para Mike) e seu destino (para Sullivan).

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Universidade Monstros é um retrato absolutamente fiel da entrada de um adolescente em uma universidade, com todos os problemas de sociabilidade, tribos, planos e perspectivas para o futuro. A direção de arte é impecável nesse aspecto, pois consegue recriar com perfeição a divisão dos grupos em uma determinada área da universidade; atletas, nerds, alternativos, calouros… E como já era de se esperar, a Pixar precisa ser enaltecida pela quantidade absurda de monstros desenhados para o casting do filme. São várias as cenas em que vemos centenas de monstros juntos, e cada uma parece ter sua identidade visual própria.

Se no visual o filme faz valer o ingresso, no subtexto a produção se firma de vez como uma das melhores do ano até o momento. Com a mensagem batida de ‘’trabalhe e consiga’’, o roteiro prova que um clichê bem desenvolvido, bem contado, funciona perfeitamente. Universidade Monstros é um filme clichê sobre a arte de fazer clichês funcionarem. Confuso, não? Eu explico. Em determinado momento da projeção, Mike recria um cenário que serviria para assustar adultos (e isso envolve bonecas assustadoras, vento batendo na janela e vitrola arranhando). Com isso, Mike prova que com os atributos corretos, torna-se fácil assustar alguém, mesmo se tratando de um adulto cético. Traduzindo para o filme: um clichê bem contado, funciona.

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As crianças aprenderão lições importantes de perseverança e trabalho duro, assim como os adultos, que se encantarão mais uma vez com uma emocionante história de amizade. Enquanto a Pixar continuar produzindo bons filmes, serei criança.