Por Pedro Fraga

Ainda que o Brasil monte um time avassalador, com os maiores craques já vistos na história do esporte e vença a copa do mundo que será realizada aqui, eu não conseguiria engolir esse que é o maior roubo da história dos cofres públicos. O mais curioso, porém, é que o tal roubo é narrado todos os dias pelos noticiários brasileiros, através da divulgação dos projetos dos grandiosos – e, na maioria das vezes, sem utilidade alguma – estádios nacionais. Bilhões de reais (públicos, amigo… dinheiro público) em estádios que estão em locais absolutamente inviáveis para a reutilização ou manutenção periódica.  Quer um exemplo? O estado do Amazonas não tem uma liga de futebol consolidada, muito menos algum time de expressão que possa, no mínimo, utilizar o estádio vez ou outra. Mas, na lógica, o estádio precisa ser construído. O Amazonas é um estado com poucos problemas de infra-estrutura, e, obviamente, falta-lhes um grandioso estádio! Não preciso nem mencionar o estádio que está sendo construído em São Paulo… Iniciativa particular (estádio do Corinthians), desenvolvida inteiramente com dinheiro público.

Esses roubos aos cofres públicos e, consequentemente, a realização da copa do mundo no Brasil, dizem muito sobre a sociedade brasileira. Pode não parecer, mas esse evento mundial não representa somente a celebração do esporte a nível global, ou a interação dos países. Para nós, brasileiros, essa copa representa a total alienação das massas; o descaso dos governos para a saúde e a educação; a não preocupação com a infra-estrutura nacional (aeroportos, estradas). E diante disso tudo, o povo brasileiro sorri, alegre e receptivo, vendo seus impostos virarem pedaços de grama, traves e tinta branca.

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Claro, o povo brasileiro merece isso. O lazer (e o futebol, no Brasil, tem papel crucial) precisa ser algo recorrente na vida de qualquer cidadão, em qualquer sociedade. Mas, antes disso, que tal cuidar desse indivíduo para que ele possa comprar alimentos de boa qualidade, ou para que receba tratamentos médicos eficientes, ou para que ele tenha em casa o mínimo de dignidade.

A copa, para muitos, é a chance de ver (ainda que pela televisão) a seleção nacional ser campeã dentro de sua própria casa. Para mim, é a realização da FIFA, um órgão gigantesco que movimenta bilhões de dólares todos os anos. Somente isso. E o Brasil, nessa história, é mais um local escolhido para arrecadar dinheiro.

O mundo da publicidade já se apoderou do tema, e começa a vender uma ideia completamente ilusória sobre a democratização do evento. A elite brasileira poderá ir ao estádio, enquanto que a maioria esmagadora da população terá que se amontoar em bares e esquinas para acompanhar os tais jogos.

Sou apaixonado pelo esporte. Acompanho futebol. Mas o que estamos acompanhando no Brasil nos últimos meses é vergonhoso.

Semanas de pura paralisação e prejuízo ao país, que já viu seus cofres esvaziarem para a construção de estádios inúteis. Perderemos duas vezes. Não interessa quem irá vencer, já que, de antemão, sabemos quem vai perder. O país perde. Aliás, já perdeu. E de goleada.

 Não vejo motivos para tantas comemorações.

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