Mr. Fly l Moda Sustentável - peças ecológicas e conteúdo consciente

Fábricas, greves e pipoca

Por Mr.Fly

Em 5 de novembro de 1937, Tempos Modernos chegou às telas de cinema, se tornando
um retrato fiel da realidade vivida não só naquela época, mas que persiste também em dias atuais e dando ao diretor e ator,  Charles Chaplin renome permanente.

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No longa, vemos a história de trabalhadores industriais e todos os desmembramentos políticos e sociais que isso acarreta na vida dos grandes centros urbanos.
O impacto da rotina moldada pelas condições de trabalho características das fábricas que produzem em larga escala e a impessoalidade que o trabalhador passa a ter, se resumindo constantemente como apenas um trabalhador, que faz parte do mecanismo da grande máquina que é a empresa são mostrados ao público através do Carlitos.

Uma crítica direta ao sistema de produção ocidental, o filme sempre será muito atual, por tangenciar questões que ainda aparecem fortemente na construção da nossa sociedade.

Pensando no enredo do filme, vimos como a economia capitalista proporciona em muitas situações e governos, uma vivência semelhante aos trabalhadores.

Exaustão, stress, marginalidade, desvalorização e vulnerabilidade são personalizados na figura do personagem, que nos mostra as falhas sociais e políticas do materialismo e o consumo crescente e desenfreado.

Muitas coisas mudaram, de forma geral, pra melhor.

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Mas a reflexão proporcionada pelo filme é válida para o presente.

A humanização das relações é a forma mais sustentável de construção social.

Acreditamos que a nossa fruição com o consumo deva ser saudável.
Ser refém de objetos de consumo é uma forma de ser conivente com todo esse processo, que muitas vezes conta com várias condições injustas de produção.
Ser consciente é aprender a ponderar essas questões e saber caminhar nessa estrada onde o dinheiro indica a direção.
E principalmente: não importa as nossas funções, jamais devemos perder a noção de indivíduo, principalmente na vida profissional.
Trabalhar com pessoas é ter a certeza de que as pessoas são diferentes.

Pense consciente!


 

Sessão Pipoca Verde

Sessão Pipoca Verde

Por Mariana Martins

Em homenagem ao Dia do Cinema Nacional,
resolvemos falar sobre dois filmes brasileiros que de alguma forma
trazem em sua proposta uma reflexão sobre a sustentabilidade.
De maneira a questionar a sociedade de consumo e a forma das pessoas
se relacionarem com as demandas produzidas nesse processo,
os filmes escolhidos mostram como a falta de preocupação com o ambiente
e com as pessoas nele inseridas é uma postura cultural da nossa vivência coletiva.

De um lado, temos Estamira: um documentário de 2005.
Em um cenário absolutamente real, vemos a trajetória de Estamira Gomes de Sousa,
uma senhora com uma forma diferenciada de ver o mundo, onde a relação com
o lixo se torna personagem importante da narrativa.
Um longa com diálogos e imagens fortes, nos faz refletir sobre como
estamos todos juntos, independente das relações que travamos,
e sobre como ignorar essa realidade e não pensar no próximo acaba prejudicando o lado mais fraco.

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Do outro, Ilha das Flores : um curta metragem de 1989 que infelizmente mostra uma realidade ainda presente em nossas comunidades.
Dirigido por Jorge Furtado, o filme é uma visão clara e pedagógica de como a economia circula e atinge diferentes
pessoas de formas desiguais e cíclicas, e de como esse ciclo é muitas vezes, automático.
Nos faz repensar nossas relações com os produtos que compramos e o lixo que descartamos.

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Tem coisa melhor do que fazer do seu lazer um momento de aprendizado e reflexão?
Adote essa ideia!
Pense sustentável!



 

Indicação cultural: REC

Indicação cultural: REC

Como qualquer grande indústria, o cinema tenta, de todas as formas, elevar sua margem de lucro o mais alto possível. A nova onde de filmes independentes e de baixo orçamento é a melhor maneira de consolidar isso. Um filme feito com no máximo 1 milhão de dólares e gera 50 mostra que apoiar pequenas produções tem se tornado algo muito interessante. Talvez um dos maiores exemplos seja o do filme espanhol [REC].

A trama é deveras simples. Logo de cara fica claro que a estética de filme ”Câmera na mão”, tão usada em Bruxa de BlairCloverfield e outros, dará um toque mais indie  a produção. A partir disso, o filme se desenvolve mostrando a jornalista (que não parece ter muita prática) Angelina (Manuela Velasco bem e convincente) em uma corporação de Bombeiros. Ela e seu cinegrafista, Pablo, tem a missão de documentar a difícil rotina dos bombeiros de Barcelona, na Espanha, para um programa chamado ”Enquanto você dorme”. Um chamado que parecia normal leva uma dupla de bombeiros com a jornalista e seu cinegrafista para a ocorrência : Uma mulher estava presa dentro de seu apartamento.

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Isso bastou para que, de forma totalmente inexplicável, o prédio fosse interditado e lacrado!  Com a ajuda de dois policias que já estavam no local, os bombeiros e a dupla de reportagem investigaram o que estava acontecendo naquele local estranho. Após discussões com moradores, pessoas baleadas, sangue escorrendo escada abaixo e tudo de mais anormal possível, o grupo que foi impedido de sair do prédio fica sabendo através de um inspetor sanitário (devidamente trajado com roupas de combate a bombas nucleares!) que um vírus altamente contagioso foi rastreado e está colocando em risco as pessoas do prédio. Zumbis estão agora por toda a parte…

Essa premissa basta para que um filme de 100 milhões de dólares faça algo sensacional. Mas, como dito no início do texto, esse filme custou muito menos que isso. Muito menos. E pelo custo investido, olhando o material final, o filme é algo fantástico. Não consegui ver falhas na maquiagem dos ”infectados”, ou nos efeitos sonoros, nem nada disso. Se existe algum erro, está muito discreto. Assisti duas vezes e é difícil acreditar que esse filme foi feito com orçamento apertado.

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A direção é algo mais curioso ainda, já que os responsáveis Jaume Balagueró e  Paco Plaza foram também os câmeras do filme. Será que existe forma melhor de passar algo para os espectadores do que dirigir um filme com a câmera na mão?

Os espanhóis, assim como os japoneses, tem uma visão para filmes de terror bem diferente daquela que vemos em filmes americanos. Eu, particularmente, gosto muito dessa visão peculiar de deixar de lado o sobrenatural, os demônios, a relação de bem e mal, e investir em um terror mais real, como o terror biológico, ou desastre químico. Algo que com certeza aterroriza qualquer pessoa. Imagine um vírus mutável, assim como o da gripe, viajando na velocidade da luz e que pode te transformar em algo totalmente insociável e te levar a devorar seus próprios familiares… Assustador, não?

É isso que [REC] tem de melhor. Aproximar um pouco o espectador do terror que aquelas pessoas passam. Independentemente da crença ou da religião, qualquer um pode ser exposto a algo desse tipo. Não é preciso ser católico para ver ”O Exorcista”, mas é preciso acreditar em Deus, diabo, demônios etc. [REC] só exige que você apague as luzes da sua sala, antes de assisti-lo.

Indicação cultural: Vingador do Futuro

Indicação cultural: Vingador do Futuro

O cinema atual reflete o atual público que o frequenta, e O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012) representa essa grande parcela.

A história já contada na década de 90 traz um operário que sofre um mal sucedido implante de memória e começa a ser atormentado por lembranças. O mundo como conhecemos está divido entre a Federação Britânica e a Colônia, lugares opostos entre riqueza e pobreza. Colin Farrell interpreta Doug Quaid, um operário da Colônia que tem dificuldade para aceitar sua vida medíocre. Casado com a belíssima Lori (Kate Beckinsale), Doug decide recorrer a Rekall, empresa que pode transformar os sonhos de seus clientes em memórias reais. O procedimento sai do controle e os responsáveis pelo processo descobrem que Doug na verdade é um espião. Na luta por sua verdadeira identidade, Doug conhece Melina (Jessica Biel), integrante das forças rebeldes.  O que é real, e de que lado Doug está, são os questionamentos que o diretor Len Wiseman (Anjos da Noite) busca desenvolver.

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Como dito no início, os filmes atuais refletem diretamente os compradores de ingressos. Temos, então, uma versão atualizadíssima de O Vingador do Futuro. As cenas de luta são coreografadas de forma magistral, e os cortes rápidos ajudam na sensação de velocidade das brigas e fugas.  Efeitos especiais ousados e eficazes, que servem para segurar na cadeira o inquieto espectador que frequenta o cinema, podem ser vistos durante todos os 118 minutos de projeção.  Aliás, toda a concepção artística do filme é impecável. O design dos cenários futuristas, desde os carros voadores até as favelas cibernéticas, são o verdadeiro diferencial do filme, que se apega aos quesitos técnicos para valer as horas de empenho. Curioso é ver como isso acontece em 90% das produções atuais.

Colin Farrell e Kate Beckinsale são os protagonistas, e o destaque de cada um é marcado por suas qualidades. Um pela insegurança e pelas expressões de aflição, e a outra por sua embasbacaste beleza. Farrell nem de longe se compara a Arnold Schwarzenegger, mas consegue convencer de que é um homem a procura de sua real identidade por conta de sua atuação ‘’perdida’’. Beckinsale é o destaque da produção. Linda, porém letal.

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Deixando a profundidade dramática de lado e se assumindo fraco, o filme se apega aos elementos que financiam o cinema atual e, como um bom filme de ação, prende a atenção do espectador pelo ritmo desenfreado. Acaba valendo o ingresso a partir do momento em que você fica impressionado com as ações e bate palma por perceber que elas estão críveis.

Pipocão. Dos divertidos, ao menos.

Porque o filme Amor a Toda Prova deve ser visto

Porque o filme Amor a Toda Prova deve ser visto

O gênero comédia romântica vem sofrendo uma queda considerável em Hollywood, já que a fórmula clichê e os rostinhos conhecidos estão deixando um sentimento de : ” Eu já vi isso em algum lugar…” . Comentando a respeito disso, ouvi alguém dizer que a originalidade em filmes de comédia romântica havia acabado. De fato, há uma fórmula a ser seguida, mas em ”Amor a toda prova”, conseguimos enxergar grandes lapsos de originalidade, e dos bons.

O longa narra a história de Cal (Steve Carrel) e Emily (Juliane Moore), casados e com três filhos, porém infelizes. Para Cal, tudo ia perfeitamente bem, já que seus 25 anos de casados mostravam uma estabilidade muito satisfatória. Já Emily, que perdeu o estímulo e entrou numa crise de meia idade, preferiu pedir o divórcio. Com os sentimentos em pedaços, Cal passa a frequentar um bar onde conhece o mulherengo Jacob (Ryan Goslin), que, vendo todo seu sofrimento, decide ajudar dando uma repaginada no visual de e ensinando a arte da conquista. Cal parte para a ”caça” e, com a ajuda de Jacob, leva várias mulheres para a cama. Isso bastaria para que sua vida melhorasse, mas isso não o satisfaz de verdade. Cal só ficaria satisfeito a partir do momento em que tivesse sua mulher de volta.

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A trama tem uma proximidade incrível com seus espectadores porque narra algo comum a várias famílias. O divórcio, a zona de conforto criada em torno de um casamento de longos anos e a crise de meia idade tornam ”Amor a toda prova” um filme carregado de sentimentalismo. Mas se enganam aqueles que acham que isso é algo ruim, pois os diretores Glenn Ficarra e John Requa passam todos esses temas de forma tão gostosa e divertida que fica fácil assistir.

A direção de atores fez um trabalho fantástico. Steve Carrel e Juliane Moore estão ótimos e mostram que ainda podem concorrer a grandes premiações. As cenas mais dramáticas, como a da ligação feita por Cal a Emily no quintal de sua casa ( uma das melhores cenas do filme ), mostram que essa dupla ainda consegue chorar e passar a emoção necessária para você derramar aquela lágrima, que está ali, mas teima em cair durante toda a projeção.

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Contudo, algumas falhas teimam em comprometer um pouco o espetáculo. Como, por exemplo, o clímax do filme estar no lugar errado. Sim, o clímax acontece antes do início do terceiro ato, e isso deixa uma sensação um pouco desconfortável. Outro fator que prejudica é aquilo que disse no início do texto, quando citei as fórmulas seguidas por todo roteiro de filmes desse gênero; o final do filme, que podia ser memorável, tenta passar a mensagem ”bonitinha” que os filmes hollywoodianos têm o hábito de fazê-lo. É uma tentativa falha, já que o filme se mostra muito mais divertido durante a construção dos personagens. É uma pena perder isso logo no final. A boa notícia é que as qualidades do filme superam essas pequenas imperfeições.

Porque o filme Roubo nas Alturas deve ser visto

Porque o filme Roubo nas Alturas deve ser visto

Os filmes de assalto se tornaram populares de uns anos para cá. Verdade comprovada através do sucesso de  Ocean’s Eleven (Onze homens e um segredo) e suas continuações, Plano Perfeito (Spike Lee, 2006), e até o fraco brasileiro Assalto ao Banco Central, que fez uma pequena fortuna apesar de sua qualidade, no mínimo, duvidosa. O mais novo filme de Brett Ratner, Roubo nas Alturas (Tower Heist,2011), nada mais é que uma tentativa (falha) de narrar um assalto, mas que acaba dando certo pela competência de seu elenco, e pela ambientação envolvendo contextos atuais de crise econômica.

Roubo nas Alturas

O roteiro escrito por Ted Griffin (o mesmo de Ocean’s Eleven) e Jeff Nathanson ( O Terminal) narram o problema que um grupo de funcionários de um grande prédio domiciliar no centro de Manhattan. O tal problema envolvia o dono do prédio, que fora acusado de desviar uma grande quantidade de dinheiro, incluindo a pensão dos empregados. O então gerente,  Josh Kovacks  (Ben Stiller), se vê na obrigação de ajudar seus companheiros a reaver a quantia que lhes pertence, e para isso, arquiteta um plano de invasão da cobertura do dono do prédio, onde, supostamente, estavam guardados maços e mais maços de dinheiro, totalizando quase 45 milhões de dólares.

A ambientação do filme em tempos de crise econômica torna a sua narrativa, no mínimo, mais atrativa. O problema enfrentado pelos empregados do Hotel, quando suas pensões são roubadas, deixa no ar a fragilidade que nossos cargos sofrem durante esse período conturbado.  Um grande ponto positivo ao filme, que se preocupa em passar uma mensagem de excelência no trabalho.

Ansiosos estavam os fãs de Eddie Murphy, pois essa seria a tão esperada volta do ator aos grandes filmes de Hollywood. Murphy está aqui como Slide, um malandro que passou a vida furtando pequenos objetos. Seu papel é explorado de forma discreta, sem muito brilho, mas formando um belo par com Ben Stiller. Por vezes somos convidados a rir de suas feições, lembrando o personagem Buddy Love, de O Professor Aloprado.

Film Title: Tower Heist

A diversão é garantida graças as situações ‘’embaraçosas’’ que os comparsas se metem durante a tentativa do roubo.  Mas como dito no início do texto, o assalto, como um gênero, não é levado a sério. É notável, por exemplo, que o plano é terrivelmente óbvio, e que os ladrões não têm o mínimo de preparo para tal.

A grande sacada do roteiro previsível e descomplicado é apostar nas situações que os personagens passariam ao tentar roubar a quantia, pois como filme de assalto, Roubo nas Alturas se mostrou um boa e leve comédia.

 

Porque o filme Meu País deve ser visto

Porque o filme Meu País deve ser visto

O cinema brasileiro vem sofrendo um constante processo de ”hollywoodização”. Isso fica claro em filmes como ”Tropa de Elite 2”, ”O Homem do Futuro” e tantos outros que se aproveitaram da fórmula criada nos Estados Unidos, seja em técnicas de filmagem ou na abordagem dos temas. O que vemos em ”Meu país” não é um resgate ao cinema americano, mas ao cinema europeu, que consagrou vários diretores por suas técnicas únicas de filmar. O mais incrível é ver que o resgate ao cinema europeu pode ser transportado a um tema recorrente dos brasileiros: família.

André Ristum, diretor estreante com pinta de veterano, conta a história de Marcos (Rodrigo Santoro voltando a atuar em filmes brasileiros), um bem sucedido empresário que passou a morar na Itália com Giulia (Anita Caprioli), sua mulher. Após a morte de seu pai, Armando (Paulo José em rápida e brilhante atuação), Marcos se vê obrigado a voltar ao Brasil para resolver os problemas da empresa da família. Em São Paulo, Marcos revê seu irmão (Cauã Reymond) e descobre que não passa de um playboy irresponsável e endividado por seu vício em jogos de cartas. Para completar a lista de problemas, Marcos é procurado pelo médico de seu pai e descobre que tem uma meio-irmã (Débora Falabella) com problemas neurológicos.

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A fórmula que faz de ”Meu País” um filme excepcional, além da forma européia de filmar, é a identificação que grande parte das famílias terão ao acompanhar a história. Todos nós conhecemos famílias que se desestruturaram com a perda de seus ”líderes”. Aqui a figura do líder está no pai, Armando. Após sua morte, Marcos é obrigado a assumir o posto. A figura do irmão mais velho responsável também está presente em várias famílias brasileiras, aproximando mais uma vez a trama do espectador. É raro encontrar tamanha intensidade em filmes brasileiros que abordam a família, e aqui isso é evidente.

As atuações de Santoro e Reymond são boas e convincentes, especialmente o primeiro nas cenas de diálogo em italiano. Mas a verdadeira atuação vem de Debora Falabella, que interpreta a irmã de 24 anos com idade mental de uma criança. Dela absorvemos o verdadeiro sentido de felicidade, que, mesmo com sua doença, demonstra estar feliz em todos os momentos familiares. Afeto e tolerância são sentimentos recorrentes na narrativa.

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O clímax também é inovador, pois não tem o objetivo de definir o futuro de seus personagens, mas sim de abrir a discussão sobre família e responsabilidade, sempre com sutileza e ao mesmo tempo, intensidade. O futuro de André Ristum como diretor é altamente promissor e deve voltar em breve com nova produção. Eu vou esperar, pois esse é um dos melhores filmes de 2011.

Porque o filme Gigantes de Aço deve ser visto

Porque o filme Gigantes de Aço deve ser visto

Por Pedro Fraga

A escolha do diretor Shawn Levy para a cadeira de diretor em Gigantes de Aço (Real Steel, 2011) trouxe certa incerteza quanto ao produto final. Vindo de filmes familiares um tanto simples e entediantes, como Uma Noite no Museu, ou Doze é Demais, não seria estranho se todos desconfiassem de sua capacidade para dirigir um filme com mais testosterona, digamos assim.
O mais curioso é que em Gigantes de Aço conseguimos ver toda essa testosterona nas lutas de robô, sem deixar de notar, também, a relação pai e filho que torna sua filmografia tão familiar.

A trama gira em torno de Charlie (Hugh Jackman), um ex-lutador de boxe que vive em um caminhão lotado de peças e tralhas relacionadas a robôs de combate. Sua vida muda completamente quando a mãe de seu filho falece, obrigando-o a ficar com a criança. Claro, um garoto de 11 anos não está nos planos de um “empresário” do ramo de robôs boxeadores, por isso, Charlie vende a guarda de seu filho para os tios da criança, por 100 mil dólares. A condição consistia numa pequena temporada com o garoto, até que seus tios voltassem de uma viagem. Charlie, então, se vê na obrigação de  levar seu filho para as lutas de boxe com robôs.

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Esse roteiro, que só de ler a sinopse fica fácil de desvendar seu desfecho, não tem nada de genial. Logo nos primeiros minutos podemos notar a turbulenta relação pai e filho entre Charlie e Max (Dakota Goyo). Mas, de início, essa relação é colocada em segundo plano, pois a aparição dos robôs é algo realmente interessante. Diferentemente dos robôs apáticos de Michael Bay, aqui os gigantes de aço tem sua personalidade definida e aparentam ter sentimentos. Fato notável em inúmeras cenas em que Max encara seu robô, Atom, que mais parece o boneco de lata do grande clássico O Mágico de OZ, pois aparenta entender o que seu dono fala e demonstra sentimentalismo quando estão juntos.

Se por um lado temos o roteiro previsível e robôs sentimentais, do outro temos as lutas e o barulho de aço se chocando ao outro. Essas sim estão impecáveis e prendem a atenção do público que assiste a um filme de ação, e não de drama. Atom, robô de Max, nos faz lembrar de um outro grande filme: Rocky, um lutador. A forma que o mesmo se supera a cada luta é idêntica a do filme lendário dos anos 70. E não importa o quanto apanhe, sua garra sempre prevalecerá.

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O destaque das atuações fica por conta de Dakota Goyo, garoto que já interpretou o poderoso Thor, em sua fase infantil. Com suas danças estilo Justin Bieber e seu carisma, o garoto leva a história com tranquilidade e leveza. O clímax, por mais que acabe caindo na pieguice, é satisfatório, pois tudo se justifica pelo sentimentalismo que Max apresenta em relação a seu pai e vice-versa. Ao final do filme, a vontade que ficava era a de sair socando o ar, porque o sentimento de vitória que o filme transporta é realmente contagiante. Talvez esse sentimento de vitória seja do próprio Shawn Levy, que depois de perceber o que tinha feito, ficou com a sensação de dever cumprido.

Porque o filme A Mulher de Preto deve ser visto

Porque o filme A Mulher de Preto deve ser visto

Todo filme que se preza precisa criar uma atmosfera de expectativa antes de seu lançamento. Se isso não ocorrer, o filme fracassa na estreia e corre o ”risco” de virar cult um tempo depois. Em A Mulher de Preto (The Woman in Black, 2011), essa tal atmosfera estava voltada totalmente para seu maior astro, Daniel Radcliffe, ou como é mais conhecido, Harry Potter. Talvez seja esse o maior erro do filme… já que logo de cara, o que vemos no cartaz é a frase: “O astro de Harry Potter…”. Tentar vender alguma coisa em cima do sucesso de outra me parece um tanto errado. Essa é a indústria, temos que aceitar.

O roteiro adaptado do livro de Susan Hill narra a história  de Arthur Kipps (Radcliffe), um advogado a beira do desemprego que é mandado até um vilarejo no interior da Inglaterra para cuidar de uma papelada de um senhor que acabara de falecer. Até aí, tudo certo. O problema é que o lugar é tão sinistro que mais parece abandonado por Deus. No tal vilarejo, um fato assustador descrevia uma mulher de preto, que rodava pela mansão de sua família (que agora me foge o nome… tanto da mansão, quanto da família). Decidido a confrontar as tais histórias, Arthur decide trabalhar como bom inglês que é, mas o tal espírito da mulher de preto o atormenta durante todos os minutos de projeção, causando pânico e medo aos moradores do vilarejo.

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O visual presente no filme é impecável e rende aplausos. Recriar um vilarejo nos moldes do início do século XX não é tarefa fácil. Torná-lo crível é mais difícil ainda, e aqui, desde figurino a locações, tudo se mostra perfeito.  A tal mansão é sinistra demais para ser explorada, embora fosse a minha maior pretensão, já que o trabalho de decoração e ornamentação deixaram-na com um ar gótico e sem vida, o que a tornou muito fascinante. A fotografia composta basicamente por quadros abertos, mostrando os personagens mais aos cantos da tela e dando ênfase no ambiente criado, é linda e muito bem trabalhada. Pena que a técnica não justifica um filme; se fosse o caso, Transformers seria o melhor filme da história.

Do ponto de vista narrativo, o filme deixa muito a desejar. A história é tão óbvia que parecia ter sido escrita por um adolescente que sonha com um final feliz, mesmo que para isso, o personagem principal precise passar por vários perrengues. E para justificar o plot de filme de fantasmas, o roteiro usa e abusa dos sustos seguidos de cortes rápidos, a lá ”Atividade Paranormal”, recurso que está mais do que manjado, e só serve para arrancar gritinhos dos mais desavisados.

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Aos fãs de Harry Potter, podem ficar tranquilos. Se saudade era o que você tinha, esse é um prato cheio. São 95 minutos de Daniel Radcliffe na tela, e mais nada. Confesso que nunca curti a atuação dele em Harry Potter; sempre achei infantil demais para o personagem que conheci nos livros. Aqui é exatamente a mesma coisa, sua atuação infantil e no piloto automático, assim como fez com Harry Potter, deixa algumas cenas pouco críveis. O filme tem no máximo 4 ou 5 atores principais… contando também a mulher de preto,  nada mais que isso. Então vá preparado para encarar aqueles grandes olhos azuis durante um bom tempo.

No mais, A Mulher de Preto se mostra um programa razoável para se fazer. Nada genial, longe disso, mas vale pela realização e pelos belos cenários.

Porque o filme Dois Coelhos deve ser visto

Porque o filme Dois Coelhos deve ser visto

Por Pedro Fraga

Eu definiria ‘’2 Coelhos’’ – do diretor estreante Afonso Poyart  – como um ‘’tiro no escuro’’. Levar aos cinemas brasileiros uma espécie de conteúdo voltado para o público jovem, que é bombardeado todos os dias com produções gringas ligadas a cultura pop, não é nenhum problema… Pode ser até benéfico. O problema está na inexperiência de Poyart, que com ousadia e coragem suficientes fez essa produção dar certo. E o resultado, a meu ver, muito válido, está nas locadoras e lojas brasileiras para qualquer pessoa que se interesse por algo inédito feito no país.

Cercado de alegorias a lá Scott Pilgrim, e com explosões inspiradas  por tantos outros filmes de ação gringos conhecidos, o roteiro escrito – Poyart tem futuro – pelo também diretor do filme consegue com clareza e sem muitos rodeios contar a história de Edgar (Fernando Alves Pinto), um nerd que viveu toda a sua vida enterrado num computador e em um videogame.  Rodando pelas ruas de São Paulo com seu BMW, Edgar é abordado por um ladrãozinho (Thaíde), o qual lhe rouba seu iPhone, relógio e míseros 15 reais. Ao voltar para casa, nosso protagonista se vê cansado da situação, e decide colocar os bandidos mais barra-pesada da cidade contra os políticos corruptos que financiam toda a roubalheira.  Com essa missão de matar 2 coelhos (sacaram?) com uma paulada só, Edgar, com seu inventário nerd, vai a luta.

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Tudo no filme remete ao POP, desde o uso dos iPhones, até a trilha sonora do grupo 30 Seconds To Mars. Por vezes, quando Edgar narra a história, e apresenta os participantes do plano – seja aliado, ou contrário -, os rabiscos e as alegorias gráficas mostram um pouco das características de cada um, dando um tom mais jovem ao filme. Tecnicamente, 2 coelhos me impressionou. A edição com cortes exageradamente rápidos dão uma dinâmica muito interessante ao filme. Ao sair da sessão, a impressão que fica é a de que o filme é muito maior do que sua real duração. Veria tranquilamente uma sequência ali mesmo, ao final do primeiro.

Mas nem tudo sai como Poyart planejou. Se do ponto de vista técnico o filme se mostra impecável, do ponto de vista narrativo o filme consegue passar sua mensagem social, mas falta amarração. Talvez pela quantidade de cortes que o filme possui, algumas cenas se mostram muito jogadas, sem nenhuma demonstração de como aqueles personagens foram parar ali, ou como obtiveram informações para participarem de determinada ação. Entretanto, pelo ritmo frenético imposto pelo roteiro – e pela edição – os espectadores deixam de lado a lógica e embarcam nas explosões e nas sequências excelentes de tiroteio que o filme possui.

As atuações também me surpreenderam. Nomes como ThaídeRobson Nunes (quem lembra de ‘’malhação’’ lá pelos anos 2000 ou 2001?), e todo o resto do grupo que formam os capangas do vilão Maicon, estão muito a vontade e se saem muito bem. Os diálogos entre eles são impagáveis, e lembram o estilo criado por Meirelles em Cidade de Deus, ou em Tropa de Elite de Padilha. Até Alessandra Negrini, que ficou famosa no Brasil por seus trabalhos em novelas globais, se sai bem na maioria de suas aparições. E cá entre nós, abrilhanta o filme com seu charme…

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Se pudesse resumir 2 coelhos diria que essa produção nada mais é do que um projeto altamente ousado e corajoso, que tem tudo para ser repetido. Afinal, tudo o que mais queremos é que o Brasil pare de só produzir comédias Românticas e dramas, para entrar de vez no cinema de gênero. Quem aí gostaria de ver alguém escalando o palácio do planalto para seqüestrar o presidente? Eu adoraria.