Por Pedro Fraga

Desde que o consumismo chegou com força ao Brasil, impulsionado pela economia norte-americana pós Segunda Guerra Mundial, a obsessão do indivíduo que se considera economicamente estável é se diferenciar do grande público. Esse sentimento de unicidade tomou conta da sociedade, não em pensamentos ou desenvolvimento de ideias (e aqui temos um grave problema que pretendo abordar outro dia), mas nos bens materiais adquiridos. Isso é absolutamente nítido quando, por exemplo, as capas protetoras dos smartphones apresentam variedade de modelos muito maior do que os próprios aparelhos eletrônicos. Grosso modo, os aparelhos são parecidos. O exterior, as capas protetoras, representam gostos e traços da personalidade de cada um, e é esse o ponto de unicidade que se destaca.

Pensando dessa forma, uma loja online americana (e não podia ser diferente) criou mais um exemplo de produto para usarmos na ideia de unicidade. Citei as capinhas de celulares porque é por conta delas que a loja Chipster está se destacando: unindo a tecnologia e a ecologia, a marca produz e vende uma capa protetora para smartphones que é feito a partir de papelão com uma gramatura mais alta.

Confira um exemplo:

CORTADA 2

Se a loja obtém sucesso a partir da venda desse tipo de produto, que objetiva diferenciar o consumidor deles de outros consumidores (de outras marcas), fatalmente podemos concluir que a ideia de vida sustentável tem se fortificado. E mesmo que seja só mais uma tentativa desesperada de diferenciação por parte de quem compra (e, acredite, isso existe), a mensagem está sendo passada, e mais do que isso, o papelão que poderia estar poluindo e ocupando um espaço precioso nas ruas, se torna um adereço indispensável para a conservação do aparelho (e da personalidade, dependendo da pessoa).

Se a onda de produtos como esse é moda ou algo concreto, pouco importa. O que temos que analisar é o fato de que esses materiais não estão indevidamente ‘’jogados’’ em qualquer lugar. Mesmo que sirva de pretexto para angariar compradores ‘’alternativos’’, ainda é lixo reciclado.

Comemoremos.