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Perdemos a copa de 2014

Perdemos a copa de 2014

Por Pedro Fraga

Ainda que o Brasil monte um time avassalador, com os maiores craques já vistos na história do esporte e vença a copa do mundo que será realizada aqui, eu não conseguiria engolir esse que é o maior roubo da história dos cofres públicos. O mais curioso, porém, é que o tal roubo é narrado todos os dias pelos noticiários brasileiros, através da divulgação dos projetos dos grandiosos – e, na maioria das vezes, sem utilidade alguma – estádios nacionais. Bilhões de reais (públicos, amigo… dinheiro público) em estádios que estão em locais absolutamente inviáveis para a reutilização ou manutenção periódica.  Quer um exemplo? O estado do Amazonas não tem uma liga de futebol consolidada, muito menos algum time de expressão que possa, no mínimo, utilizar o estádio vez ou outra. Mas, na lógica, o estádio precisa ser construído. O Amazonas é um estado com poucos problemas de infra-estrutura, e, obviamente, falta-lhes um grandioso estádio! Não preciso nem mencionar o estádio que está sendo construído em São Paulo… Iniciativa particular (estádio do Corinthians), desenvolvida inteiramente com dinheiro público.

Esses roubos aos cofres públicos e, consequentemente, a realização da copa do mundo no Brasil, dizem muito sobre a sociedade brasileira. Pode não parecer, mas esse evento mundial não representa somente a celebração do esporte a nível global, ou a interação dos países. Para nós, brasileiros, essa copa representa a total alienação das massas; o descaso dos governos para a saúde e a educação; a não preocupação com a infra-estrutura nacional (aeroportos, estradas). E diante disso tudo, o povo brasileiro sorri, alegre e receptivo, vendo seus impostos virarem pedaços de grama, traves e tinta branca.

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Claro, o povo brasileiro merece isso. O lazer (e o futebol, no Brasil, tem papel crucial) precisa ser algo recorrente na vida de qualquer cidadão, em qualquer sociedade. Mas, antes disso, que tal cuidar desse indivíduo para que ele possa comprar alimentos de boa qualidade, ou para que receba tratamentos médicos eficientes, ou para que ele tenha em casa o mínimo de dignidade.

A copa, para muitos, é a chance de ver (ainda que pela televisão) a seleção nacional ser campeã dentro de sua própria casa. Para mim, é a realização da FIFA, um órgão gigantesco que movimenta bilhões de dólares todos os anos. Somente isso. E o Brasil, nessa história, é mais um local escolhido para arrecadar dinheiro.

O mundo da publicidade já se apoderou do tema, e começa a vender uma ideia completamente ilusória sobre a democratização do evento. A elite brasileira poderá ir ao estádio, enquanto que a maioria esmagadora da população terá que se amontoar em bares e esquinas para acompanhar os tais jogos.

Sou apaixonado pelo esporte. Acompanho futebol. Mas o que estamos acompanhando no Brasil nos últimos meses é vergonhoso.

Semanas de pura paralisação e prejuízo ao país, que já viu seus cofres esvaziarem para a construção de estádios inúteis. Perderemos duas vezes. Não interessa quem irá vencer, já que, de antemão, sabemos quem vai perder. O país perde. Aliás, já perdeu. E de goleada.

 Não vejo motivos para tantas comemorações.

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Você sabe o que é Economia Ecológica?

Você sabe o que é Economia Ecológica?

Por Pedro Fraga

Em 1992, quando as conferências do Rio de Janeiro estavam caminhando lentamente, alguns economistas, ecologistas e estudiosos da área perceberam a imediata necessidade de se pesquisar sobre a tal economia ecológica. Ainda que obscuro para grande parte da população, o tema foi levantado em diversas discussões ao redor do mundo, e o reflexo negativo que a economia da época exercia no meio ambiente impulsionou a criação da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, com o objetivo de debater sobre meios sustentáveis de desenvolvimento.

É bastante relevante que uma sociedade como essa debata assuntos desse porte. O raciocínio é simples e bem didático. Se um dos produtos, se não o maior produto, que movimenta a economia mundial com inúmeros dígitos é um recurso natural, é óbvio e esclarecido a todos que, em algum dia, num futuro próximo, esse recurso se esgotará.  O petróleo ainda é, assim como no início dos anos sessenta e setenta – quando a preocupação surgiu – a base para a economia do planeta, e se algo não for feito, se uma alternativa não for posta em prática, teremos uma crise econômica prevista para um futuro não muito distante. E se engana quem pensa que é só de petróleo que vive a economia. Inúmeros outros recursos naturais são indevidamente explorados todos os dias, e nada é feito para que as reservas desses recursos durem muito tempo, ou que esses recursos sejam renovados.

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A proposta de Economia Ecológica nasce justamente dessa preocupação com o futuro da própria economia, que diante do cenário atual de exploração de recursos, se vê regredindo continuamente. É muito interessante ver, por exemplo, que os especialistas que fazem parte da sociedade brasileira de economia ecológica analisam e criam propostas econômicas paralelas a conceitos biofísicos, indo de encontro a todo o pensamento comum. O primeiro fator a se considerar é a sustentabilidade dos recursos, e com isso integrar todas as alternativas a propostas de desenvolvimento da economia.

Hoje, a organização EcoEco (Economia Ecológica) está instalada no campus da UNICAMP, e está atuando ativamente nas discussões e na elaboração de propostas práticas para o desenvolvimento econômico e sustentável do Brasil.

Conheça a EcoEco, a Sociedade Brasileira de Economia Ecológica! Clique aqui

Homenagem a toda essa cultura

Homenagem a toda essa cultura

Os habitantes das Américas foram chamados de “índios” pelos colonizadores europeus, pois acreditaram ter chegado às Índias. Mesmo depois de descobrirem que não estavam na Ásia, mas em um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando, propositadamente, as diferenças lingüístico-culturais.

Os povos indígenas que hoje vivem na América do Sul são originários de povos caçadores que aqui se instalaram, vindos da América do Norte e que ocuparam, virtualmente, toda a extensão do continente há milhares de anos. A partir de então, essas populações desenvolveram diferentes modos de uso e manejo dos recursos naturais e formas de organização social, distintas entre si.

O atual estado de preservação das culturas e línguas indígenas é conseqüência direta da história do contato das diferentes sociedades indígenas com os europeus que dominaram o continente americano. Os  índios são vistos como parte do passado, como estando em processo de desaparecimento, mas há dados que confirmam o crescimento da população nas últimas três décadas, não só biologicamente, mas também do ponto de vista das tradições culturais.

As relações das comunidades indígenas e de suas lideranças com o mundo dos brancos se tornou muito mais freqüente. Os índios passaram a compreender muito melhor como vivem os brancos e suas leis. Eles também criaram organizações e passaram a estar presentes em reuniões e eventos nacionais e internacionais para defender seus direitos.

Hoje, muitas comunidades indígenas vêem televisão, ouvem rádio e acompanham o mundo que gira fora de suas aldeias. Muitos índios ocupam cargos importantes como funcionários das entidades governamentais. Talvez se possa afirmar que as mudanças ocorridas nas relações entre índios e brancos nestes últimos trinta anos foram mais profundas do que as dos 472 anos anteriores.

A Mr. Fly parabeniza e homenageia toda essa cultura e esses povos.