Por Pedro Fraga

O cinema nacional sempre foi alvo de críticas por parte do grande público. E, de fato, o cinema nacional feito para a massa nunca foi um primor. Porém, fora dos grandes circuitos, as produções brasileiras independentes sempre renderam excelentes histórias. É só pegar para assistir a lista de filmes indicados a festivais brasileiros, como o festival de Paulínia, por exemplo, que a qualidade e os talentos são facilmente percebidos. Mas se o cinema nacional tem qualidade e potencial, porque não há um reconhecimento por parte dos grandes prêmios, por exemplo, o Oscar? Difícil dizer… Muitos defendem a questão política que o Oscar carrega, entre outros fatores. Eu prefiro acreditar que, dentre todas as vezes que batemos na trave para levar uma estatueta, os filmes concorrentes eram superiores.

Falando nisso, você sabe quais foram as participações brasileiras no Oscar? Temos uma pequena lista de candidatos verde e amarelos que já pisaram no tapete vermelho mais famoso do mundo, e que, por alguma razão, acabaram não levando o prêmio. O Brasil nunca ganhou um Oscar, mas as indicações envolvem obras bastante relevantes e que, de alguma forma, mudaram o cenário nacional. A categoria mais importante, e a que se encaixa para as produções brasileiras, é a de melhor filme em língua estrangeira. E nessa categoria nós já tivemos quatro representantes de peso.

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 A primeira indicação ocorreu no ano de 1963, com o filme ‘’O Pagador de Promessas’’. Obra absolutamente incontestável de Anselmo Duarte, que no ano anterior havia ganhado a concorrida Palma de Ouro do Festival de Cannes. No elenco estavam nomes como Glória Menezes, Leonardo Villar e outos. O filme contava a história de Zé do Burro (Villar) e seu debate religioso entre o catolicismo e o candomblé.
Infelizmente, naquele ano concorria o francês ‘’Sempre aos Domingos’’, de Serge Bourguignon, que acabou tirando o título do primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar.

Os americanos demoraram 33 anos para indicar o segundo filme de nacionalidade brasileira. E essa indicação veio para ‘’O Quatrilho’’, em 1996, também na categoria de melhor filme estrangeiro. Fabio Barreto dirigiu a história de dois casais que viviam no interior do Rio Grande do Sul na primeira década do século XX e acabam se apaixonando, digo, a mulher de um se apaixona pelo marido de outra e vice e versa. No elenco estavam as fantásticas Glória Pires e Patrícia Pillar, juntas de Alexandre Paternost, Bruno Campos e outros.
A estatueta acabou ficando nas mãos do holandês ‘’A Excêntrica Família de Antônia’’, da também holandesa Marleen Gorris.

Dois anos após Fabio Barreto levar o Brasil para Hollywood, sua família decide figurar novamente entre os melhores filmes estrangeiros do ano. Em 1998, Bruno Barreto, irmão de Fabio, leva o seu ‘’O que é isso, companheiro’’ para o Oscar. O elenco conta com nomes consagrados como Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Mateus Nachtergaele, Luís Fernando Guimarães, Selton Mello e grande elenco. A indicação é curiosa porque a história do filme trata justamente de uma ferida americana ainda pouco explicada. Um embaixador americano foi sequestrado, durante a ditadura militar, por membros da Ação Libertadora Nacional e do Movimento Revolucionário Oito de Outubro. No filme, o embaixador serviria de moeda de troca para a libertação de alguns integrantes desses grupos. Mais uma vez, o filme brasileiro saiu sem nada… Naquele ano o também holandês (ta virando perseguição) ‘’Caráter’’ de Mike Van Diem levou o prêmio.

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O Brasil vinha bem no Oscar. Uma indicação em 96, outra em 98. Sem prêmios, mas com o devido reconhecimento. Com um ano de diferença, precisamente em 1999, ‘’Central do Brasil’’ foi indicado ao Oscar com um acréscimo: a indicação de Fernanda Montenegro ao prêmio de melhor atriz pela sua MONSTRUOSA atuação. Um verdadeiro marco para o cinema nacional… Nunca tivemos um de nossos atores entre os melhores do ano, segundo a Academia. Walter Salles dirigiu um dos filmes mais citados quando o assunto é a injustiça (comum, até) que o Oscar comete todos os anos. O filme é excelente, mas concorria com outro filme de qualidade comparável, o (belíssimo) italiano ‘’A Vida é Bela’’, de Roberto Benigni. Até aqui, tudo bem. O prêmio foi dado à Itália e, analisando as duas obras e os concorrentes, era o filme mais cotado a ganhar. Entretanto, na categoria de melhor atriz, a ABSOLUTAMENTE SUPERIOR Fernanda Montenegro acabou perdendo a estatueta para a segura Gwyneth Paltrow, de ‘’Shakespeare Apaixonado’’. Ali nascia a minha birra com o Oscar…