Por Pedro Fraga

Independente da opinião pessoal de um cinéfilo, algumas obras consideradas importantes para a indústria do cinema devem ser respeitadas. Quando falamos de grandes clássicos, logo vem a mente os filmes de Hitchcock, Welles, Griffith e tantos outros. Quando falamos de filmes que revolucionaram a indústria atual, citamos Matrix, a trilogia Senhor dos Anéis, e porque não, Avatar (idem, 2009). Divisor de águas na técnica de captação de movimentos e efeitos visuais, o filme dirigido por James Cameron não só balançou as estruturas da indústria atual do cinema, como também acrescenta um excelente subtexto sobre a real importância da conexão entre o homem e a natureza.

No filme, Jake Sully (interpretado por Sam Worthington) é um soldado paralítico que viaja até o planeta Pandora para participar de uma expedição. Lá, Jake é colocado em um avatar de Na’vi, nativos do planeta. Uma missão é dada a ele: convencer os Na’vi a permitirem a exploração das reservas naturais de Pandora pelos humanos. Infiltrado na tribo, Jake conhece a jovem Neytiri (interpretada por Zoe Saldana, através da tecnologia de captação de movimentos), que vai ajudá-lo a entender um dos princípios fundamentais de seu povo. A divindade cultuada pelos Na’vi, Eywa, é a própria natureza, e é dela que tiramos a mensagem principal do filme.

James Cameron's Avatar

Os Na’vi são descritos como algo próximo aos índios brasileiros, que sempre mantiveram como valor principal a não agressão a natureza e o respeito pelos seres vivos. No filme, a sustentabilidade é abordada de forma sutil, porém significativa. Os Na’vi criaram sua própria sociedade, com divisões de trabalho e hierarquia, partindo da filosofia sustentável de vida; retirando da natureza somente aquilo que seria necessário para a sobrevivência da tribo, sem esgotar recursos ou agredir o ambiente. A crítica à sociedade atual está justamente nesse ponto, expondo ao espectador a exagerada e errônea forma de extração de recursos que nós estamos praticando. Estamos tirando da natureza muito mais do que precisamos, e, na maioria das vezes, o que sobra é simplesmente descartado.

Ainda que o filme caminhe para uma discussão quase espiritual, a abordagem que o diretor usa para tratar de ecologia é excelente, e ao contrário da maioria dos filmes, não serve somente como pano de fundo para os grandiosos efeitos visuais. Avatar precisa ser encarado não só como um excelente exemplar para o segmento blockbuster do cinema (chegou a alcançar a incrível marca de um bilhão de dólares em bilheteria), mas também como um alerta as gerações futuras para que tomem conta dos recursos naturais, e que retirem somente aquilo que necessitam para sobreviver. Do contrário, teremos que começar a explorar outros planetas em um futuro não muito distante. Avatar é bonito, inteligente e cativante. É por isso que merece ser visto.

Neytiri