O gênero comédia romântica vem sofrendo uma queda considerável em Hollywood, já que a fórmula clichê e os rostinhos conhecidos estão deixando um sentimento de : ” Eu já vi isso em algum lugar…” . Comentando a respeito disso, ouvi alguém dizer que a originalidade em filmes de comédia romântica havia acabado. De fato, há uma fórmula a ser seguida, mas em ”Amor a toda prova”, conseguimos enxergar grandes lapsos de originalidade, e dos bons.

O longa narra a história de Cal (Steve Carrel) e Emily (Juliane Moore), casados e com três filhos, porém infelizes. Para Cal, tudo ia perfeitamente bem, já que seus 25 anos de casados mostravam uma estabilidade muito satisfatória. Já Emily, que perdeu o estímulo e entrou numa crise de meia idade, preferiu pedir o divórcio. Com os sentimentos em pedaços, Cal passa a frequentar um bar onde conhece o mulherengo Jacob (Ryan Goslin), que, vendo todo seu sofrimento, decide ajudar dando uma repaginada no visual de e ensinando a arte da conquista. Cal parte para a ”caça” e, com a ajuda de Jacob, leva várias mulheres para a cama. Isso bastaria para que sua vida melhorasse, mas isso não o satisfaz de verdade. Cal só ficaria satisfeito a partir do momento em que tivesse sua mulher de volta.

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A trama tem uma proximidade incrível com seus espectadores porque narra algo comum a várias famílias. O divórcio, a zona de conforto criada em torno de um casamento de longos anos e a crise de meia idade tornam ”Amor a toda prova” um filme carregado de sentimentalismo. Mas se enganam aqueles que acham que isso é algo ruim, pois os diretores Glenn Ficarra e John Requa passam todos esses temas de forma tão gostosa e divertida que fica fácil assistir.

A direção de atores fez um trabalho fantástico. Steve Carrel e Juliane Moore estão ótimos e mostram que ainda podem concorrer a grandes premiações. As cenas mais dramáticas, como a da ligação feita por Cal a Emily no quintal de sua casa ( uma das melhores cenas do filme ), mostram que essa dupla ainda consegue chorar e passar a emoção necessária para você derramar aquela lágrima, que está ali, mas teima em cair durante toda a projeção.

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Contudo, algumas falhas teimam em comprometer um pouco o espetáculo. Como, por exemplo, o clímax do filme estar no lugar errado. Sim, o clímax acontece antes do início do terceiro ato, e isso deixa uma sensação um pouco desconfortável. Outro fator que prejudica é aquilo que disse no início do texto, quando citei as fórmulas seguidas por todo roteiro de filmes desse gênero; o final do filme, que podia ser memorável, tenta passar a mensagem ”bonitinha” que os filmes hollywoodianos têm o hábito de fazê-lo. É uma tentativa falha, já que o filme se mostra muito mais divertido durante a construção dos personagens. É uma pena perder isso logo no final. A boa notícia é que as qualidades do filme superam essas pequenas imperfeições.