Por Pedro Fraga

Curioso ver que algumas obras cinematográficas conseguem nos influenciar a gostar de algo mesmo se mostrando completamente tendenciosas. A primeira coisa que se nota vendo o cartaz, ou lendo a sinopse, por exemplo, é que o filme quer passar uma mensagem x de determinado grupo ou fato. Mesmo com essa clareza, o filme cumpre o seu papel de fazer valer o lado que assumiu.

pinguins

É assim que o tocante A Marcha dos Pinguins (La Marche de l’empereur, 2005) trabalha. Criando uma empatia imediata com o modo de reprodução dos pinguins, o documentário mostra cenários quase intocados pelo homem e enaltece as regiões geladas com uma abordagem estritamente contemplativa.

O viés ecológico da produção é bastante sutil, e serve pra mostrar que as regiões povoadas pelos pinguins ainda não sofreram a total intervenção do homem. A questão do degelo gradativo das calotas polares também está presente ali, mas de forma implícita.

Mais interessante que o lado apoiador da causa ecológica é simpatizar com essa criaturinha que é chamada de ave, mas que não voa e vive boa parte de sua vida na água. Chega a ser divertido notar algumas semelhanças que levamos dessas criaturinhas para as nossas vidas, como o fato da valorização do instinto para a criação dos filhos. Além de arrancar suspiros de fofura dos espectadores, A Marcha dos Pinguins é um excelente exemplo de documentário que valoriza o ambiente em que foi construído e enaltece a vida estudada ali.

Confira o trailer.