Por Pedro Fraga

Artes conceituais tomaram conta de Hollywood. A cada dia aparece um roteiro, ou uma produção já pronta que quer levar algo novo, ou algo revolucionário. O grande problema é que nem todos conseguem atingir esses objetivos, já que o cinema é uma indústria com um público extremamente exigente. Quando um tal Frank Miller roteirizou e ilustrou a graphic novel  ”300”, a tal arte conceitual tomou forma, e Zack Snyder levou a tela grande uma experiência surreal aos olhos de um leigo, e fantástica até mesmo para quem conhecia o material impresso.

Com um minucioso trabalho de pesquisas, Frank Miller depositou no papel uma das melhores graphic novels da história. E para adaptar tal história, era necessário um grande diretor, alguém que tivesse Ph.D em cultura pop, e que pudesse apresentar novas e revolucionárias ideias. Chamaram Zack Snyder, diretor de videoclipes e relativamente jovem – não que seja algo ruim, mas não demonstra ”bagagem” para assumir um trabalho desse tamanho – mas que não teve medo de inovar. O resultado dessa aposta foi um filme plasticamente impecável, com design inovador e muitos litros de sangue digital.

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A história, que já havia sido contada nas telonas (Os 300 de Esparta, de Rudolph Maté- 1962), narra a épica batalha das Termópilas. O rei de Esparta, Leônidas (Gerard Butler, sensacional) reúne 300 dos seus melhores soldados e decide se opor a política expansionista que o grande império persa estava impondo. O problema era que o império Persa já tinha quase todo o continente asiático em suas posses e avançava mais a cada dia. Seus exércitos eram numerosos demais para serem contados. Em batalha, quando seus soldados marchavam, a superfície tremia. Quem os liderava era o poderoso rei-deus Xerxes (Rodrigo Santoro totalmente modificado, e gigantesco).

Analisando o visual, o filme é bastante inovador. Zack Snyder abusou do fundo verde e recriou um visual quase apocalíptico para inserir a atmosfera de guerra que o filme pedia. A fotografia, tomada de tons mostarda, oscila entre o crível e o surreal, causando aplausos em diversas cenas (quando os espartanos empurram vários persas penhasco a baixo). Nota-se também o carinho com que Snyder tratou a graphic novel. Em vários momentos temos a impressão de ver a câmera percorrendo páginas, demonstrando a plasticidade e a fidelidade da obra.

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As batalhas são tão grandiosas quanto seu orçamento. O slow-motion foi usado durante todo o filme – como na cena em as mãos são arrancadas durante as batalhas- tudo minuciosamente trabalhado e bem montado. As frases verborrágicas são exploradas para mostrar o sacrifício e o heroísmo dos trezentos nobres espartanos e de seu corajoso Rei, que não quer ver suas mulheres e crianças escravizadas por um tirano.

300 é uma obra digna de aplausos. Gostando ou não de filmes de ação, ou de épicos, ou também chamados de ”sandálias e espadas”, todos aqueles que defendem a bandeira do cinema devem encarar esse filme como, pelo menos, arte conceitual, e das boas