Por Pedro Fraga

Em 2006, quando a proposta de aumentar o tom realista dos filmes de James Bond foi mostrada ao mundo, a surpresa foi positiva. O excelente Cassino Royale foi o exemplo que a franquia precisava para seguir em frente, e após testes feitos no fraco Quantum of Solace, os elementos que precisavam de um encaixe ou de uma melhor abordagem foram estudados de forma mais atenta. Em 007 – Operação Skyfall (Skyfall, 2012) temos a oportunidade de ver uma nova perspectiva para a franquia do agente britânico James Bond, que se baseia, ou melhor, se firma nos excelentes profissionais recém contratados.

O roteiro assinado por três mãos, sendo duas conhecidas pelos trabalhos nos dois filmes anteriores (Neal Purvis e Robert Wade) e o estreante na franquia John Logan (Gladiador, Rango), narram a história de uma operação mal sucedida em Istambul que colocou a agência britânica MI6 em uma posição difícil: James Bond (Daniel Craig) é dado como morto e o arquivo que dava motivos a existência da missão acaba nas mãos inimigas, e com isso, vários agentes infiltrados da OTAN tem seus rostos divulgados. Com isso, M (Judi Dench, interpretando a líder da agência britânica) vira alvo de uma investigação governamental por conta dos atos cometidos na missão fracassada. Durante a investigação, o autor dos atentados, Raoul Silva (Javier Bardem), forçará James Bond a se provar como agente 007.

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O terceiro filme da era Daniel Craig marca a data de 50 anos de James Bond nos cinemas, e a coincidência não poderia ser mais feliz. Além de homenagear os clássicos filmes dos anos 60 e 70 mostrando, por exemplo, o robusto Aston Martin usado por Sean Connery, o filme marca também uma nítida renovação na franquia. Daniel Craig nos entrega um James Bond com uma aparência mais cansada, porém, mais experiente e analítico.

A renovação acontece também no time de profissionais contratados para o projeto. A começar pelo excelente diretor Sam Mendes (Vencedor do Oscar pelo filme Beleza Americana), que trabalha belíssimos planos sequência durante todo o filme (um em especial apresenta o vilão do filme de forma magistral). É notável também a sua excelente direção de atores, onde os próprios atores, em entrevistas, disseram o quanto foi prazeroso e único trabalhar com tanta liberdade na interpretação de seus personagens.

Outro profissional envolvido se chama Roger Deakins (Indicado oito vezes ao Oscar);  diretor de fotografia que tem em seu currículo filmes como Onde os fracos não tem vez. Definitivamente, Deakins fez em Skyfall um trabalho primoroso. A fotografia composta por tons mais escuros, e enquadramentos semelhantes aos usados no próprio cinema britânico fizeram de 007 – Operação Skyfall um filme esteticamente lindo. Cores vibrantes nas cenas antecipam ao espectador o tom de suspense que virá a seguir. É um deslumbre acompanhar cada quadro. Não era de se esperar menos de Deakins.

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Os vilões de 007 sempre foram um show a parte. Cada filme merecia um vilão com características específicas, com armas específicas. Aqui em Skyfall, Javier Bardem entrega com seu Raoul Silva um vilão complexo e psicótico, ao mesmo tempo em que apresenta uma frieza característica de suas atuações.

Com alguns momentos de alívios cômicos e uma trilha sonora irrepreensível (A cantora Adele compôs e interpretou o tema do filme), 007 – Operação Skyfall é o compromisso que a franquia firma com o espectador. Compromisso que obriga as próximas produções a serem tão bem trabalhadas como essa. O nível não está mais no rótulo ‘’cinema de ação’’. Celebremos com martínis batidos, não mexidos.