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Que venham os colombianos!

Que venham os colombianos!

Por Inácio Novaes

Era a melhor geração da história do país.

Terminou numa tragédia que até hoje me choca.

A Colômbia do começo dos anos 1990 encantou o mundo com uma campanha perfeita nas Eliminatórias, com direito a goleada na Argentina em Buenos Aires. Era o time de Higuita (depois Córdoba), Valderrama, Rincón e Asprilla. No papel e na prática, tudo estava pronto. Eram os favoritos em 1994 para Pelé.

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Só que se em campo estava tudo bem, fora dele não. A Colômbia era refém do narco-tráfico. Um país violento, hostil e instável. Até os jogadores estavam pressionados, comenta-se que traficantes exigiam vitórias. Um clima, convenhamos, conturbado. Aquele time não merecia isto. Mas perdeu na estreia para a ótima Romênia de Hagi e ficou ainda mais pressionado. Contra os Estados Unidos, o time da casa, era vencer ou vencer. O pior aconteceu, derrota por 2×1, com direito a gol contra do zagueiro Escobar. Coitado. Um lance que selou o seu destino.

A Colômbia venceu a Suíça na última rodada mas já não adiantava, foi eliminada. Voltou mais cedo pra casa. Escobar, “culpado” pelo vexame, publicou num jornal local uma carta pedindo desculpas. Não adiantou. Dias depois, foi assassinado à queima-roupa após sair de uma casa noturna. A Copa ainda estava nas oitavas de final.

É brutal, chocante, inacreditável, inaceitável. Na época, eu tinha 8 anos de idade, vivia minha primeira Copa, e fiquei horrorizado. Vinte anos depois, é algo que ainda me assusta. Passei a ter uma grande simpatia pelos colombianos. O país se recuperou, hoje tem uma qualidade de vida bem melhor, gostaria até de visitá-lo um dia.

Faltava, porém, a recuperação futebolística.

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Com James Rodriguez e companhia, a reação veio agora, com uma campanha 100% e um futebol que muito me encanta, mais que Brasil e Argentina. Quando o goleiro Mondragón entrou em campo, no jogo contra o Japão, tornando-se o mais velho jogador da história das Copas (43 anos), fiquei com lágrima nos olhos. Mondragón fez parte do time de 1994. Era companheiro de Escobar.
A Colômbia 2014 joga pela geração perdida de vinte anos atrás. Joga por Escobar e pelas milhares de vítimas de uma sistema injusto, infeliz e cruel ligado ao tráfico. Joga para dar ao povo um motivo a mais pra sorrir. Não é exagero dizer que merece o título.

Tô contigo Colômbia, mas não nesta sexta. As causas podem ser boas, bonitas e merecedoras, só que o adversário agora é o Brasil, né? Que os nossos nervos estejam controlados e que o pífio futebol de sábado passado tenha ficado pra trás! Vamos rumo ao hexa!
Só que se der zebra, se der Colômbia em Fortaleza… vocês já sabem pra quem vou torcer depois.

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