Mr. Fly l Moda Sustentável - peças ecológicas e conteúdo consciente

Um 2017 mais sustentável sem largar a moda de lado!

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Que tal começar com 2017 em um mood diferente?
Moda sustentável vai muito além de uma tendência – é um estilo de vida!

Lojas de fast fashion perdem a força entre os jovens e passam a investir em programas de reciclagem e linhas feitas com tecidos tecnológicos. A Pantone escolhe o verde como como cor do ano, e pede um olhar mais atento à natureza. Marcas veganas e de menor produção ganham projeção nacional. Estamos em 2017 e uma das grandes preocupações do momento é um comércio justo tanto para quem compra quanto para quem cria e produz as peças. Vivienne Westwood já levanta essa bandeira há tempos, mas parece que a pauta está, finalmente, ganhando a importância que merece.

Mesmo assim, largar hábitos que fazem mal ao meio ambiente pode ser um desafio, especialmente para quem estava acostumada com a lógica de consumo desenfreado que se instalou na moda. Por isso, fomos atrás de pessoas que são referência quando se trata de sustentabilidade no mundo fashion para entender como foi o processo de entrada em uma nova rotina, mais consciente e sustentável, para pegar dicas práticas que podem ser adotadas no dia a dia de quem está começando a se interessar pelo assunto, mas não sabe por onde começar a mudança.

MAIS SUSTENTÁVEL NO DIA A DIA

Carla Lemos é o nome por trás do blog Modices. Seu site vai muito além das tendências, e é cheio de matérias sobre consumo consciente e empoderamento da mulher. Para ela, a melhor forma de ter uma vida mais sustentável é aprender a fazer escolhas: “Adquirir mais conhecimento sobre os produtos que são consumidos e como eles interferem não só na minha vida, mas na do planeta”, ela explica.

O principal é que passei a viver com menos, mas com a mesma ou até mais qualidade de vida.

Cristal Muniz

A ideia vai de encontro com o que acredita a designer Flavia Aranha, que criou a sua marca em cima do conceito de slow fashion, com uma produção justa e humanizada. Sua dica é para a hora de comprar roupas:  “Eu sempre me pergunto quem fez o produto no qual eu estou interessada. De que material ele foi feito? Vai durar bastante tempo? Preciso mesmo disso? Se não preciso, mas quero muito, tenho algo que eu possa me desfazer, doar ou vender para não acumular mais coisas no meu guarda-roupas?”. Ela não nega os desejos e impulsos, mas diz que o mais importante é superá-los. “Essas perguntas nos ajudam a nos relacionar com a moda de uma maneira mais harmônica, leve e positiva”.

  • Para Cristal Muniz, dona do projeto Um Ano Sem Lixo, sustentabilidade é a palavra de ordem. “Eu tento não produzir lixo levando comigo guardanapos de pano, copinhos e talheres para comer fora de casa. Compro comidas a granel e faço meus próprios produtos de limpeza; troquei descartáveis por reutilizáveis. Evito lixos de uma forma geral, evito desperdícios e evito tudo o que não seja extremamente necessário”, lista a blogueira.

Entre as mudanças do seu dia a dia desde o começo do blog, em 2015, ela aprendeu a fazer compras em feiras e não em mercados, aboliu as lojas de fast fashion e as compras por impulso. “Agora observo melhor o tecido, o caimento e principalmente o acabamento para decidir se vou levar. Só compro roupas planejadas, ou seja, quando preciso de blusas, casacos ou alguma coisa específica”.

O projeto foi levado tão a sério que até os produtos de belezas industrializados ficaram de lado: “Faço quase tudo em casa, eu mesma, com óleos vegetais e essenciais. Até sabão em pó e pasta de dente eu passei a fazer”, conta animada. E se você acha que todas essas escolhas fazem a vida dela mais difícil, a blogueira reforça: “O principal é que passei a viver com menos, mas com a mesma ou até mais qualidade de vida. Mais tempo para mim e mais felicidade em dormir sabendo que o que eu pratico é o que eu acredito para o mundo e para mim.”

DÁ PARA GOSTAR DE MODA E TER ESCOLHAS CONSCIENTES?

Para quem ama e está envolvido com moda, pode parecer difícil abrir mão das tendências do momento que chegam todas as semanas a lojas de fast fashion. Cair na tentação de acumular peças no armário é muito fácil para as fashionistas de plantão.

Bárbara Mattivy é uma das fundadoras da marca vegana Insecta Shoes, que produz sapatos superestilosos a partir do reuso de materiais, desde a sola até o tecido do calçado. Ela confessa que realmente não é simples manter o foco consciente na hora das compras. Para isso, ela indica os brechós: “Me divirto neles, e ainda economizo. Também tento ao máximo comprar de marcas locais, brasileiras e em feirinhas”.

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Se você trabalha diretamente com moda, vai entender perfeitamente a Marina Colerato, do site Modefica: “Quando se está todos os dias imerso nesse universo, é normal oscilar entre estar de saco cheio de tanto ver roupas e estar à frente das tendências, querendo algumas coisas antes de todo mundo”. A saída da designer, que trabalha na área há 10 anos, foi aprender a desvencilhar as compras do prazer. “Já sei que não é uma saia ou uma blusa que vai me fazer menos ou mais feliz de verdade, muito menos resolver os meus problemas ou mudar a minha vida”. Por isso, uma de suas prioridades quando vai adquirir algo novo é que a peça combine com o resto do seu guarda-roupa e que, preferencialmente, venha de “marcas de mulheres brasileiras que estão aí esquentando o mercado de maneira independente”. Cristal Muniz reforça: “Não adianta ter um guarda-roupa com 400 peças orgânicas, verdes, sustentáveis ou com tecido de reuso. Não é sustentável ter essa quantidade de peças. Moda sustentável tem a ver com o produto, mas também com o jeito como a gente consome“.

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CUSTO X SUSTENTABILIDADE

Quando comparados aos preços de fast fashion, os produtos que foram feitos a partir de preocupações com questões humanas e ambientais costumam ser mais caros, não há como negar. Mas Carla Lemos explica didaticamente o motivo disso: “A moda é uma indústria muito grande que envolve lojas, fábricas e plantações. É uma cadeia gigante, totalmente dependente do trabalho manual, e com uma carga tributária alta. Quando você começa a colocar no papel todas as pontas, você vê que é impossível uma blusinha ser vendida por 19 reais no Brasil, tendo sido produzida no sul da Ásia e percorrendo estradas e oceanos para chegar até a arara do shopping mais perto de casa”.

Porém, isso não significa que também é preciso pagar preços exorbitantes por uma peça. “Eu passei a entender que uma peça que custa R$ 20 não é normal ao passo que uma que custa R$ 20 mil também não. Hoje, eu prefiro comprar peças com valores medianos de marcas que sei que estão tentando trabalhar de maneira justa”, pondera Marina Colerato. Mesmo assim, não são todos que conseguem arcar com o custo médio de um produto. A estilista Flávia Aranha explica: “É caro e inacessível para grande parte da população. Então é necessário entendermos que o volume precisa ser repensado e que a qualidade precisa ser boa, para que os produtos que a gente compre durem mais também”.

A vlogger Nátaly Neri, do canal Afros e Afins, também aponta que o preço pode dizer muito sobre uma peça, mas é preciso ter cuidado. “Claro que nem toda peça cara é sinônimo de processo justo, vide grandes marcas que são sempre denunciadas. Vale a pena buscar saber mais sobre os processos produtivos dos locais em que escolher comprar”.

POR UM 2017 MAIS SUSTENTÁVEL

André Carvalhal acaba de lançar o livro “Moda com Propósito”, em que ele disserta sobre toda esta nova fase do consumo consciente. Para ele, seguir este estilo de vida é “garantir a sobrevivência dos nossos descendentes”. “O planeta está doente. As pessoas estão doentes em níveis físicos, mentais e energéticos. Se continuarmos com o nosso estilo de vida atual, dependendo do consumo desenfreado e inconsciente, vamos criar condições desfavoráveis à nossa sobrevivência”, explica. Bárbara Mattivy completa: “Deveria ser a prioridade de todos, pois já vimos que o cenário do futuro do planeta não é nada próspero, e se não revermos nossos hábitos, não teremos mais alternativas”.

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Joanna Moura, dona do blog Um Ano Sem Zara, acredita que não há um futuro sem empatia, por isso esta luta é tão importante: “Sustentabilidade nada mais é do que empatia pelo mundo e pelo restante da raça humana”.

DICAS PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO

Com um mundo de informações na palma da nossa mão, às vezes é fácil se perder e não saber exatamente por onde começar para finalmente começar a olhar para moda com uma postura mais consciente. A dica de André para o primeiro passo neste movimento é simples: pesquisar. “Existem sites, eventos, feiras e muitos conteúdos específicos direcionados ao tema. As opções não param de crescer”, ele afirma. “São várias ações em conjunto, mas todas vêm da consciência de que ter uma vida mais preocupada com as pessoas e o meio ambiente volta a nosso favor”, completa o escritor.

A fundadora da Insecta Shoes também reforça: “Existem ótimas leituras e documentários sobre o assunto, que esclarecem de forma bem didática os problemas na cadeia de moda e como ela é poluente. Acho que uma das maiores referências atuais nesse assunto é o documentário The True Cost, que dá um panorama muito completo sobre a gravidade da situação toda”. Os questionamentos são uma grande parte para dar um passo maior rumo ao consumo sustentável como Nátaly Neri relembra: “Precisamos ter 30 blusinhas diferentes, que são descartadas a cada nova tendência? Ou podemos investir em algo bacana e bonito, que respeita o trabalho dos outros e contribui para um mundo melhor e mais justo?”.

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Joanna Moura ainda ajuda a desmistificar o termo: “A palavra sustentabilidade parece complicada, mas não é. Tem um monte de coisas simples que você pode mudar na sua rotina agora mesmo pra tornar a sua vida mais sustentável. Depois que comecei a me interessar pelo assunto percebi que mudar não é difícil: passei a reciclar o lixo, evito produtos descartáveis, compro mais a granel, opto por produtos locais e orgânicos, consumo menos carne. Enfim, é um contínuo processo de olhar para a sua rotina e entender: como posso melhorar?“. Carla Lemos finaliza com um lembrete importante: “Respira e não pira. A gente ainda vive em um mundo que não foi feito para você ser sustentável. E você vai encontrar muitas barreiras e frustrações no caminho, mas o importante é ter consciência e ajudar a espalhá-la”.

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